Tunísia anuncia prisão de ex-oficiais de ex-presidente Ben Ali

Ex-chefe de segurança e ex-ministro do Interior são presos por suposto envolvimento nos atos de violência desde a fuga de Ben Ali

iG São Paulo |

O governo interino da Tunísia anunciou neste domingo que o Exército prendeu dois ex-oficiais de segurança do ex-presidente ditatorial Zine el Abidine Ben Ali.

Ali Sériati, um dos oficiais capturados, foi preso por cidadãos quando tentava fugir do país pela fronteira com a Líbia, segundo a TV estatal tunisiana. Sériati, que era chefe de segurança de Ben Ali, foi então entregue ao comando militar. De acordo com a TV estatal, ele foi acusado de conspirar contra o governo interino tunisiano e de responsabilidade pelos abusos contra a população durante a crise política que atravessa o país.

Sob condição de anonimato, uma fonte oficial informou à agência TAP que o ex-chefe de segurança estava por trás das milícias responsáveis pelas desordens recentes na capital e em outras cidades do país.

Várias testemunhas atribuíram as últimas 24 horas de violência, saques, incêndios criminosos e rebeliões prisionais principalmente na capital, Túnis, e em seus arredores, a membros das tropas de segurança ligadas a Ben Ali.

Separadamente, o novo ministro do Interior disse que o ex-titular da pasta foi preso em sua casa. Ainda não foram anunciadas quais são as acusações contra ele. A implicação das prisões foi que os dois funcionários estiveram por trás de parte da violência que atingiu o país desde a fuga de Ben Ali em direção à Arábia Saudita na sexta-feira.

Embora não esteja claro qual o significado das prisões para o próximo governo do país, elas são as mais recentes indicações de que o Exército se encarregou de coibir os protestos. Acredita-se que isso tenha garantido alguma segurança no país neste domingo, apesar dos contínuos relatos de violência ocasional, o que possibilitou reduzir em uma hora o toque de recolher em todo o país.

Negociações para o novo governo

Os líderes políticos da Tunísia deram início, neste domingo, às negociações para o governo que substituirá o do governo de Ben Ali, que renunciou na sexta-feira em meio a protestos. As negociações foram iniciadas um dia depois de o chefe do Parlamento Foued Mebazzaa ter sido oficializado como presidente interino prometendo formar um governo de unidade nacional com outros partidos políticos.

"Todos os tunisianos sem exceção devem estar associados ao processo político", disse Mebazzaa em um comunicado pela televisão.

O primeiro-ministro Mohammed Ghannouchi deu início às negociações com políticos da oposição no sábado. Ele se reuniu com o líder da oposição Najib Chebbi.

Chebbi, que é o chefe do Partido Progressivo Democrático, disse à rádio francesa RTL que sua principal exigência era que as eleições acontecessem dentro de seis ou sete meses sob supervisão internacional.
Na atual Constituição tunisiana, a nova eleição presidencial deve acontecer dentro de 60 dias.

O chefe do partido de centro-esquerda "Ettajdi" Ahmed Ben Brahim, também se reuniu com Ghannouchi - assim como Mustafa Ben Jaafar do Partido da União pela Liberdade e pelo Trabalho, que pediu "reformas verdadeiras". O chefe do partido Islâmico da Tunísia Rached Ghannouchi disse que deve retornar do exílio em algumas semanas. O partido havia sido banido no país.

No último mês, o país foi palco de protestos conta o desemprego, o aumento no preço dos alimentos e a corrupção. Confrontos com a polícia mataram dezenas durante as manifestações.

Ben Ali, que foi presidente da Tunísia por 23 anos, foi de avião até a Arábia Saudita na sexta-feira, depois de renunciar ao cargo.

*Com New York Times, AFP, AP e BBC

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