Uma mulher morreu enquanto milhares de jovens tentavam entrar na Universidade de Joanesburgo para se matricular

Mulheres gritavam, mas a multidão de sul-africanos desesperada por uma chance de estudar continuou a empurrar em direção ao portão da universidade. O tumulto desta terça-feira matou uma pessoa - provavelmente uma mãe que acompanhava o filho, um dos estudantes que realizaria uma solicitação de matrícula no câmpus de Joanesburgo -, e deixou outras duas seriamente feridas, segundo autoridades.

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Milhares de estudantes e seus pais se empurram para tentar entrar nos portões, provocando tumulto na Universidade de Joanesburgo, África do Sul
AP
Milhares de estudantes e seus pais se empurram para tentar entrar nos portões, provocando tumulto na Universidade de Joanesburgo, África do Sul

Milhares de jovens sul-africanos e seus pais começaram a se reunir no câmpus da Universidade de Joanesburgo na segunda-feira em busca de admissão. O número de vagas é limitado - um sintoma de uma grande crise na educação da África do Sul. Muitos dos que iriam fazer a solicitação da matrícula só souberam que poderiam estudar na universidade depois de pegar os resultados na semana passada, sendo que as aulas no ensino superior têm início no mês que vem.

Segundo um levantamento feito pelo jornal Times, mais de 180 mil estudantes formados no ensino médio não conseguirão uma vaga nas nove universidades do país esse ano. Somente na Universidade de Joanesburgo, 74 mil alunos não poderão estudar.

Desmond Mlangu, um estudante, disse ter testemunhado uma cena "traumática", com mulheres gritando e pessoas continuando a empurrar. Ele disse que aqueles que estavam mais ao fundo da multidão não tinham noção do que estava acontecendo no portão, com jovens e adultos sendo esmagados.

Tendai Nembidzane, uma estudante chefe do conselho estudantil da universidade, disse que viu o filho da mulher morta agachado perto do corpo. Segundo Nembidzane, o rapaz foi levado para o escritório do conselho para ser consolado. O vice reitor da Universidade de Joanesburgo Ihron Rensburg disse que ao jovem e aos outros prejudicados pelo tumulto seria oferecido aconselhamento.

O problema começou um pouco antes do horário programado para a abertura do portão, 8h no horário local (4h em Brasília). Horas depois, sapatos e outros objetos estavam espalhados pelo local. As pessoas continuaram na fila, ainda tentando se matricular.

Roelof Hugo, o chefe da segurança da universidade, disse que o seu departamento trabalharia mais próximo à polícia para controlar multidões e prever problemas como o tumulto desta terça-feira. Rensburg disse que sua equipe já estava sendo preparada para controlar multidões desde que a universidade teve uma experiência parecida no ano passado. "Você pode fazer o seu melhor", disse Rensburg. "Mas as coisas podem dar errado."

Pela África do Sul, universidades estão sob tensão enquanto estudantes buscam uma vida melhor como profissionais em uma nação arrasada por altos índices de pobreza e desemprego. O governo espera expandir suas universidades ao longo da década. "É um problema sistemático", disse Judy Backhouse, um especialista em educação. "É incrivelmente difícil de resolver."

Aqueles na Universidade de Joanesburgo essa semana estavam buscando a admissão tardia - vagas disponíveis de última hora. O processo de admissão tardia foi fechado logo após o tumulto, três dias mais cedo do que inicialmente previsto. A admissão regular foi fechada em junho. Os funcionários da universidade disseram que entre 4 mil e 6 mil estudantes se inscreveram antes de o processo ser finalizado.

Com AP e BBC

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