Túmulos muçulmanos são profanados em cemitério militar da França

Vândalos profanaram 148 túmulos muçulmanos no maior cemitério militar da França, pendurando uma cabeça de porco em uma delas e pichando o local com frases contra a ministra da Justiça Rachida Dati, informaram as autoridades este domingo.

AFP |

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, condenou em um comunicado esse "ato de racismo inadmissível" cometido contra 148 lápides do cemitério de Notre Dame de Lorette, próximo a Arras (norte), onde descansam os restos de combatentes mortos na Primeira Guerra Mundial (1914-1918).

"O presidente da República manifesta sua profunda indignação pela profanação em condições particularmente sórdidas", indicou a nota oficial.

"Ese ato remete ao racismo mais inaceitável, e o presidente da República compartilha sua dor com toda a comunidade muçulmana da França", acrescenta.

O promotor da República em Arras, Jean-Pierre Valensi, afirmou que os túmulos foram pichados com inscrições "que atacam diretamente o Islã" e Dati.

O procurador disse que em um dos túmulos "foi pendurada uma cabeça de porco", alimento proibido entre os muçulmanos.

A ministra francesa Rachida Dati, de origem magrebina, fez referência a "um ato profundamente inadmissível" e pediu às autoridades locais que "identifiquem os autores deste ato odioso e os julguem com a maior firmeza".

O maior cemitério militar da França está localizado em um dos lugares cuja posse foi disputada em duros combates no ano de 1915.

Estas manifestações ocorrem quase um ano depois de outras similares. Durante a noite de 18 para 19 de abril de 2007 lemas nazistas e cruzes foram pichados em 52 túmulos nesse local.

Dois jovens de 18 e 21 anos foram condenados a dois anos de prisão com sursis e um jovem de 16 anos foi condenado a sete meses de reclusão, com dois meses e meio de cumprimento efetivo.

Antes de 2007, houve na França quatro incidentes similares: em 2004 e 2003.

Além disso, nos últimos anos ataques parecidos foram efetuados contra túmulos judaicos em vários pontos do país.

Vários representantes da comunidade muçulmana foram ao lugar para constatar os atos de vandalismo.

"É vergonhoso ver isso. Quando já não existe o respeito é uma catástrofe", declarou à imprensa o presidente regional do culto muçulmano, Bahssine Saaidi.

Amar Lasfar, reitor de uma mesquita de Lille, considerou que esta manifestação atenta contra "aqueles que morreram pela França e contra os valores dos quais hoje desfrutamos, como a democracia, o respeito ao outro e a tolerância".

Os restos de 40.000 combatentes estão depositados nesse cemitério, a metade em túmulos individuais. O setor muçulmano conta com 576 túmulos direcionados para Meca.

cco-cbn/dm

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