Tudo pronto para o julgamento da ditadura chilena em Paris

A Federação Internacional dos Direitos Humanos (FIDH) acelera os preparativos para participar como parte querelante no julgamento que acontecerá em Paris, entre os dias 19 e 23 de maio, contra 15 acusados por de crimes durante a ditadura de Pinochet no Chile (1973-1990).

AFP |

Esta semana voltou a Paris uma missão da FIDH enviada ao Chile para informar sobre o processo que deve culminar no julgamento. Um dos aspectos relevantes observados foi o grande interesse e expectativa entre a sociedade civil chilena em relação ao processo.

"Este julgamento representa um alívio para nós" e "terá também que reativar negociações pendentes" a respeito do paradeiro ainda desconhecido de presos desaparecidos, comentaram familiares das vítimas, relatou à AFP Karine Appy, assessora de imprensa da FIDH.

Appy, que fez parte da missão que foi ao Chile, explicou que existe uma grande expectativa entre os familiares das vítimas e organismos de defesa dos direitos humanos, pois esperam que este julgamento reatualize a nível internacional a denúncia dos crimes da ditadura.

O processo teve início há exatamente dez anos, num momento em que o general e ex-ditador chileno Augusto Pinochet foi detido em Londres em virtude de uma demanda das autoridades judiciais espanholas, em 16 de outubro de 1998.

Duas semanas mais tarde, os familiares de quatro franco-chilenos desaparecidos no Chile entre 11 de setembro de 1973 - dia do golpe de Estado - e fevereiro de 1977, entraram com uma ação na França.

No final de outubro, o juiz parisiense Roger Le Loire iniciava uma instrução, que seria encerrada nove anos depois, em 21 de fevereiro de 2007, mediante um auto de remissão perante a Corte Penal de Paris, a mais alta jurisdição penal francesa.

Os quinze acusados que serão julgados "in absentia" devem responder por crimes de tortura e desaparecimento forçado dos cidadãos franco-chilenos Georges Klein, Etienne Pesle, Alphonse Chanfreau e Jean-Yves Claudet.

Georges Klein era conselheiro do presidente Salvador Allende e foi detido em 11 de setembro de 1973, quando os militares tomaram de assalto o palácio presidencial onde morreu o presidente chileno Salvador Allende.

Levado a diversas unidades militares de Santiago, onde foi torturado, Klein desapareceu. Foi encontrado morto no Campo Militar de Peldehue, nas cercanias de Santiago.

Etienne Pesle, que era sacerdote, trabalhava no setor da reforma agrária na região de Temuco entre o povoado mapuche e foi detido em duas ocasiões. Na segunda vez, preso por militares da Força Aérea, Pesle desapareceu.

Alphonse Chanfreau, membro do MIR (Movimento de esquerda revolucionária) foi detido em casa no final de julho de 1974 junto com a esposa, Erika. Ambos foram submetidos a torturas durante quinze dias.

Esta última foi finalmente expulsa para a França, mas Alphonse Chanfreau desapareceu depois que, segundo testemunhas, passaram por cima de suas pernas com um veículo.

Jean-Yves Claudet era membro do MIR e foi preso em duas ocasiões, liberado ao fim de um ano e por fim expulso para a França, de onde viajou para Buenos Aires com o objetivo de organizar uma resistência no exterior. Foi, no entanto, detido em 1975 pela polícia secreta argentina, que efetuava ações do Plano Condor, e desde então consta como desaparecido.

Entre os acusados está o general Augusto Pinochet, que morreu em dezembro de 2006. Quanto aos outros, vários estão presos por outros crimes. Um deles, Emilio Sandoval Poo, processado por envolvimento na prisão de Etienne Pesle, dirige uma empresa de distribuição na região de Temuco.

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