Tudo pronto para a Convenção Democrata oficializar Obama como candidato

A Convenção Nacional Democrata de Denver (Colorado, oeste dos EUA), na qual Barack Obama será designado candidato oficialmente, começa nesta segunda-feira e dura até o próximo dia 28, marcada pela mobilização de um rígido dispositivo de segurança.

AFP |

Cerca de 4.000 delegados procedentes de todos os cantos do país vão participar dessa reunião, que contará, ao todo, com um público de cerca de 50.000 pessoas, incluindo 15.000 jornalistas do mundo inteiro.

Essa será a 45ª Convenção do Partido Democrata e a segunda, em 100 anos, a acontecer em Denver.

Para ser declarado candidato, é preciso reunir, pelo menos, 2.117 votos dos 4.233 delegados. Segundo números extra-oficiais, Obama deve contar com mais de 2.200.

Os delegados se reúnem no Pepsi Center, um vasto complexo geralmente usado para eventos esportivos. Já Obama fará o discurso de encerramento da convenção no estádio Invesco Field at Mile High, com capacidade para 75.000 pessoas.

No dia 28 de agosto, 45 anos depois, Barack Obama retomará o famoso discurso de Martin Luther King "Eu tenho um sonho".

É na Convenção que os representantes do partido nomeiam e confirmam seus candidatos à presidência e à vice-presidência dos EUA, adotam um programa e tentam se apresentar ao povo americano como um partido unido.

A presidente da Câmara de Representantes, Nancy Pelosi, presidirá a Convenção.

O primeiro dia será marcado por uma intervenção de Michelle Obama, a mulher do senador por Illinois, e por uma homenagem ao senador Edward Kennedy, vítima de um câncer incurável no cérebro.

O ex-governador da Virgínia Mark Warren será o principal orador da noite de 26 de agosto. Em 2004, esse papel coube a Barack Obama. A senadora por Nova York Hillary Clinton, derrotada nas primárias por Obama, também falará no dia 26.

No dia 27, os delegados serão chamados a escolher entre Hillary e Obama, uma votação simbólica, já que a ex-primeira-dama não tem, matematicamente, qualquer chance de obter a maioria necessária para ser declarada candidata.

Depois de receber os votos de seus correligionários, Hillary, que também é delegada, deverá, então, anunciar seu voto em Obama e pedir aos companheiros que façam o mesmo.

O vice de Obama na chapa presidencial, Joseph Biden, discursará na noite do dia 27. Entre os oradores previstos, está o ex-presidente dos EUA Bill Clinton.

Num país que ainda não se recompôs dos atentados de 11 de setembro de 2001 e onde ainda persiste o fantasma dos assassinatos políticos, como o de John F. Kennedy em novembro de 1963, as autoridades puseram em vigor para esta convenção medidas reforçadas de segurança, denunciadas como draconianas e maliciosas pelos ativistas.

O serviço secreto, uma agência federal dirigida pelo Congresso para garantir a segurança dos líderes nacionais e dos dignitários estrangeiros, coordena estas medidas em colaboração com 55 agências governamentais, entre elas o FBI e a CIA.

Entre 3.000 e 5.000 policiais vão patrulhar as ruas de Denver, cidade a 1.600 metros de altura nas montanhas Rochosas do Colorado (oeste) que soma, com os arredores, dois milhões de habitantes.

Aos delegados, membros do partido, seguidores e manifestantes, se acrescentará uma plêiade de estrelas de Hollywood, em geral mais próximas dos democratas que de seus adversários do Partido Republicano do presidente George W. Bush.

O candidato democrata recebeu a proteção do serviço secreto desde muito cedo na campanha e agora decidiu, para desespero da segurança, romper com a tradição e pronunciar seu discurso oficial de investidura num estádio aberto.

"É uma decisão de última hora e um desafio para nós", admitiu Malcom Wiley, porta-voz do serviço secreto.

Grupos de manifestantes queixam-se pela cerca com alambrado duplo e base de concreto colocada nos arredores do "Pepsi Center", onde se desenvolverá a maior parte do congresso democrata, o que representará um empecilho a um protesto aberto contra os participantes.

A União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU), o maior grupo americano de defesa dos direitos individuais, tentou sem sucesso uma demanda pelo dispositivo de segurança em excesso, mas uma corte de Denver determinou que as medidas não violam a livre expressão dos manifestantes.

"As medidas do serviço secreto do governo federal e da cidade de Denver interferem como nunca antes com o direito à liberdade de expressão", insistiu a ativista Debra Sweet, diretora do grupo "World can't wait" (o mundo não pode esperar).

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