Tsvangirai toma posse como premiê do Zimbábue

Depois de quase um ano de disputas e negociações, o líder da oposição no Zimbábue, Morgan Tsvangirai, tomou posse como primeiro-ministro em um governo de união com o presidente Robert Mugabe nesta quarta-feira. Tsvangirai venceu o primeiro turno das eleições presidenciais em março passado, mas se retirou do segundo turno alegando uma campanha de violência contra seus eleitores por parte de militantes do partido de Mugabe, o Zanu PF.

BBC Brasil |

Em setembro, o Movimento para a Mudança Democrática (MDC), de Tsvangirai, acabou concordando em dividir o poder com Mugabe, que há 28 anos lidera o Zimbábue, em um acordo mediado pela Comunidade pelo Desenvolvimento do Sul da África (SADC, na sigla em inglês).

Entre os problemas a serem enfrentados pelo novo governo estão uma epidemia de cólera que já causou a morte de 3.400 pessoas, a inflação anual do país, estimada em 231 milhões por cento, e uma taxa de desemprego que chega a 90%.

O juramento de posse foi prestado a Mugabe, durante uma cerimônia em Harare. Dois vice-primeiros-ministros também tomaram posse.

Mais da metade da população depende de ajuda emergencial para obter alimentos, e há grande ceticismo sobre se o novo governo vai funcionar.

No melhor dos cenários, diz o correspondente da BBC para o sul da África, Peter Biles, este será um governo de transição que levará, eventualmente, à criação de uma nova Constituição e à convocação de novas eleições.

Na terça-feira, Tsvangirai nomeou Tendai Biti, o secretário-geral do MDC, como sua escolha para o Ministério das Finanças.

Na semana passada, um juiz do Zimbábue retirou as acusações de traição contra Biti por conta de um suposto complô para derrubar o governo, alegando falta de progresso no caso contra ele.

A nova posição de Biti será chave, por conta do colapso econômico do país.

No mês passado, Tsvangirai retornou ao Zimbábue depois de quase dois meses de ausência, para novas conversações com Mugabe sobre a divisão de poder.

Negociações anteriores haviam fracassado depois que o MDC acusou o Zanu PF de manter para si os ministérios mais poderosos, inclusive o que controla a polícia.

O gabinete do novo governo tomará posse na sexta-feira.

Segundo analistas, foi uma escolha difícil para Tsvangirai aceitar o poder compartilhado.

Após a onda de violência que se seguiu às eleições em março - em que 200 pessoas foram mortas, 5 mil foram seqüestradas e 200 mil obrigadas a deixar suas casas, de acordo com a oposição - o MDC defendeu a criação de um governo de transição sem Mugabe, que organizaria novas eleições, supervisionadas internacionalmente.

Quando Tsvangirai participou das negociações sobre a divisão de poder proposta pela SADC no mês passado, ele estava sob imensa pressão já que, se não aceitasse o governo de união recomendado, a única opção seria abandonar o processo.

No novo governo de união, o Zanu PF controla os ministérios da Defesa e Segurança do Estado, além de outros postos chave.

Os dois partidos têm um ministro no Ministério de Assuntos Domésticos - que controla a polícia - mas o MDC controla a pasta de finanças.

Ao todo, o MDC - inclusive a facção separatista MDC Mutambara - nomeou 16 ministros do gabinete, e o Zanu PF 15. Tsvangirai será o chefe do conselho de ministros e Mugabe vai liderar o Conselho de Segurança Nacional, que inclui os chefes dos serviços de segurança e o próprio premiê.

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