Tsvangirai não ficou fora de acordo no Zimbábue, diz Mbeki

O presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, negou que o presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, e o líder de uma facção minoritária do principal partido de oposição, Movimento para Mudança Democrática (MDC), Arthur Mutambara, tenham assinado um acordo para formar um governo, deixando de fora o líder do MDC, Morgan Tsvangirai. A informação havia sido prestada por membros do partido de Mugabe, Zanu-PF.

BBC Brasil |

Mutambara recusou-se a comentar o assunto e prometeu uma entrevista coletiva na quarta-feira.

Mais cedo surgiram notícias de que Mugabe e Tsvangirai não conseguiram chegar a um entendimento para um governo compartilhado. Nesta terça-feira Tsvangirai deixou um hotel na capital do Zimbábue, Harare, sem fazer declarações depois de quatro horas de negociações.

'Reflexão'
O presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, que vem mediando as conversações para um governo de unidade nacional no Zimbábue, tentou dissipar rumores de divergências dizendo que Tsvangirai deixou as negociações apenas para refletir sobre o que havia sido deliberado e que não houve assinatura de acordo algum.

Mbeki disse aos jornalistas que houve avanço e que sentiu que pode se chegar a um entendimento no Zimbábue.

O ponto central das negociações na nação do sul da África é o quanto de poder Mugabe está disposto a ceder após 28 anos à frente do Zimbábue.

O presidente da África do Sul vai informar outros líderes regionais antes de importante reunião no fim-de-semana. Mbeki sabe que está sob pressão para encontrar uma solução para a crise e que há muitas críticas na forma como vem lidando com a situação no Zimbábue.

Se for confirmado um acordo com Mutambara, isto pode ser usado para fazer pressão e conseguir concessões de Tsvangirai.

As conversações de terça-feira se seguiram a uma reunião de cinco horas na segunda e a uma maratona de reuniões no domingo, que durou mais de 13 horas.

Violência
Tsvangirai venceu o primeiro turno das eleições presidenciais no Zimbábue em março, antes de se retirar da disputa em junho, alegando uma campanha de violência contra seus partidários.

Mais de cem pessoas morreram e centenas de outras ficaram desabrigadas em violência registrada na época.

O Zanu-PF acusou a oposição de responsabilidade pela violência que se seguiu ao pleito.

Segundo correspondentes, o Comando de Operações Conjuntas (JOC) - um comitê de chefes militares de Mugabe - teria sido o mentor da campanha de reeleição de Mugabe.

Na terça-feira, a organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch disse que a campanha de violência continua mesmo depois das eleições e partidários de Zanu-PF levam terror aos moradores de zonas rurais.

O governo está fazendo pouco para desmantelar campos de tortura criados por seus partidários, e centenas de ativistas da oposição ainda estão em esconderijos, afirmou a organização.

Mugabe condecorou George Chiweshe, chefe da Comissão para a Eleição no Zimbábue, que foi criticado pela forma como dirigiu o pleito.

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