Tsvangirai diz que é necessário acordo para tirar Zimbábue da crise

Harare, 25 jun (EFE).- O líder do opositor Movimento para a Mudança Democrática (MDC, em inglês), Morgan Tsvangirai, admitiu hoje que a melhor forma de tirar o Zimbábue da crise é chegar a um acordo negociado com o Governo, mas que isto não será possível enquanto este último não liberar todos os prisioneiros políticos.

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"Um acordo político negociado, que permita começar um processo de reconciliação nacional, reconstrução econômica, o fornecimento de assistência humanitária e a democratização, é o melhor para o país, mas não podemos negociar enquanto o Governo mantiver na prisão cerca de 2 mil prisioneiros políticos", declarou Tsvangirai.

O dirigente opositor zimbabuano fez estas declarações durante uma entrevista coletiva realizada em sua casa de Harare pouco após sair da embaixada holandesa nesta capital, onde estava refugiado desde o último domingo após anunciar que se retirava das eleições presidenciais, de 27 de junho, por causa dos ataques das milícias governamentais contra os partidários do MDC.

"Todos os prisioneiros políticos, incluído nosso secretário-geral Tendai Biti, devem ser libertados imediatamente, caso contrário não haverá negociações" com o Governo da União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF, em inglês), declarou Tsvangirai.

O líder da oposição disse que na eventualidade de se chegar a um acordo para formar um Governo conjunto do MDC com a Zanu-PF, o processo de transição deverá ser guiado pela União Africana (UA) e apoiado pelas Nações Unidas caso se queira tirar o Zimbábue da cultura da violência em que está imerso.

"Peço à União Africana e à Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) que lidere uma iniciativa respaldada pela ONU para administrar este processo de transição", declarou Tsvangirai.

Especificou, no entanto, que apesar de o MDC estar preparado para iniciar negociações com a Zanu-PF antes das eleições de sexta-feira, não poderá fazer isto com o Governo que surja desta votação.

O Governo do Zimbábue ratificou ontem que irá em frente com a segunda rodada das eleições presidenciais apesar de o MDC ter retirado formalmente a candidatura de Tsvangirai, o que transformará o pleito na "corrida de apenas um cavalo" e permitirá ao presidente zimbabuano, Robert Mugabe, conservar o poder.

Quando Tsvangirai anunciou pela primeira vez no último domingo que se retirava das eleições disse que participar das mesmas significava "agressões físicas e até a morte para os partidários do MDC".

O Conselho de Segurança das Nações Unidas condenou na última segunda a campanha de violência criada contra a oposição zimbabuana e afirmou que estas ações impedem a realização de eleições presidenciais "livres e justas". EFE sk/fal

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