Tsvangirai diz que deixará embaixada da Holanda em 48 horas

O líder da oposição no Zimbábue, Morgan Tsvangirai, afirmou, nesta terça-feira, que deve deixar a embaixada da Holanda em Harare, onde está refugiado, nas próximas 48 horas. Em entrevista a uma rádio holandesa, Tsvangirai disse que autoridades do governo do presidente Robert Mugabe deram ao embaixador holandês garantias de que ele estará seguro se deixar o prédio.

BBC Brasil |

"Eu espero que eles honrem com o que estão dizendo. Este é um regime que está agindo irracionalmente", disse o opositor à radio holandesa Radio 1.

Morgan Tsvangirai buscou refúgio na embaixada da Holanda depois que anunciou a retirada de sua candidatura do segundo turno das eleições presidenciais, marcadas para sexta-feira, dia 27.

Ele disse que não há sentido em concorrer em eleições que não serão livres e justas e que "o resultado já está determinado" pelo seu adversário, o presidente Robert Mugabe.

Bebê chorão
O presidente senegalês, Abdoulaye Wade, que tenta mediar a crise no Zimbábue, disse em comunicado que Tsvangirai estava "fugindo de tropas do governo quando procurou ajuda na embaixada holandesa".

O editor de assuntos internacionais da BBC John Simpson, que está em Harare, disse que críticos do Movimento para a Mudança Democrática, partido de Tsvangirai, condenam sua decisão de ter procurado uma embaixada européia em vez de uma africana.

O Comissário de Polícia do país, Augustine Chihuri, descreveu o refúgio de Tsvangirai como uma "farsa exibicionista", com intenção de provocar "fúria internacional".

Ainda segundo Simpson, poucas pessoas no Zimbábue sabem que a oposição abandonou a disputa pela presidência porque a mídia estatal raramente faz menções a Tsvangirai.

O embaixador do Zimbábue na ONU, Boniface Chidyausiku, disse a um programa de rádio da BBC que Tsvangirai, ao contrário do que diz, nunca foi impedido de fazer campanha.

"Ele é um bebê chorão. Sempre teve liberdade para ir e vir", disse ele.

O líder da oposição, no entanto, afirma já ter sido preso e solto em várias ocasiões quando tentava fazer comícios.

A oposição diz que cerca de 86 de seus partidários já morreram e outros 200 mil foram expulsos de suas casas por militantes do Zanu-PF, partido de Mugabe.

Condenação da ONU
Na segunda-feira, o Conselho de Segurança da ONU condenou por unanimidade a violência e a intimidação contra a oposição.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu que o segundo turno da eleição seja adiado.

A situação no Zimbábue vem provocando a reação de diversos países.

O presidente Mugabe rejeita as críticas. Ele acusa a Grã-Bretanha e seus aliados de mentir sobre o Zimbábue para justificar uma intevenção no país.

Ao anunciar sua retirada da disputa presidencial, Tsvangirai pediu que a comunidade internacional intervenha no Zimbábue para "prevenir um genocídio".

Tsvangirai foi o mais votado no primeiro turno das eleições, com cerca de 48%, enquanto Mugabe obteve cerca de 43%. O número de votos, porém, não foi suficiente para que ele vencesse no primeiro turno.

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