Tsvangirai deixa refúgio no Zimbábue

O líder da oposição no Zimbábue, Morgan Tsvangirai, deixou a embaixada da Holanda na capital do país, Harare, onde estava refugiado desde a semana passada, segundo declararam nesta terça-feira diplomatas holandeses. Tsvangirai teria considerado a situação calma o suficiente para retornar a sua casa.

BBC Brasil |

Após desistir de concorrer com o líder do Zimbábue, Robert Mugabe, no segundo turno das eleições presidenciais da última sexta-feira, Tsvangirai buscou refúgio na embaixada holandesa dizendo temer por sua segurança. Ele havia sido detido várias vezes durante a campanha eleitoral.

Seu partido afirma que Tsvangirai teria conquistado votos suficientes para garantir a vitória no primeiro turno das eleições, ocorrido em março.

Como candidato único, Mugabe foi declarado o vencedor do pleito e assumiu um novo mandato no último domingo, gerando uma onda de críticas internacionais questionando a lisura do processo eleitoral.

A comissão eleitoral do país disse que Mugabe recebeu 85,5% dos votos válidos, mas observadores da própria União Africana disseram que o pleito não atingiu os padrões da organização para eleições democráticas.

Dilema
Robert Mugabe foi convidado e participa de um encontro de líderes da União Africana no balneário egípcio de Sharm el-Sheik que termina nesta terça-feira. A crise no Zimbábue está sendo o assunto principal do evento.

Correspondentes afirmam que se espera que os líderes africanos pressionem Mugabe a negociar com a oposição. Nos bastidores, é grande a pressão diplomática para a formação de um governo de unidade nacional.

Entretanto, é baixa a possibilidade de que a ata final do encontro mencione sanções ou que deixe explicitamente de reconhecer o governo de Mugabe.

Isso porque vários países africanos divergem quanto à profundidade das medidas e da pressão que poderiam ser adotadas sobre o regime Mugabe.

Robert Mugabe, que tem 84 anos de idade e está no poder desde a independência do Zimbábue, em 1980, é tido como um dos maiores nomes do continente na luta contra o colonialismo europeu.

Analistas acreditam que líderes africanos relutam em tomar posições que possam ser interpretadas pela opinião pública de seus países como demasiadamente pró-européia.

Mesmo assim, alguns líderes já condenaram a reeleição de Mugabe. O primeiro-ministro do Quênia, Raila Odinga, pediu nesta segunda-feira para que a União Africana suspenda o presidente do Zimbábue do bloco e defendeu que sejam enviadas tropas ao país para garantir que sejam realizadas eleições "livres e justas".

Também na segunda-feira, os Estados Unidos declararam desejar que o Conselho de Segurança da ONU imponha um embargo de venda de armas contra o Zimbábue.

Mas a aprovação de uma resolução nesse sentido é considerada improvável já que Rússia, China e África do Sul devem se opor a qualquer medida além da resolução já aprovada, que condena a violência contra a oposição no país.

EUA, Austrália e alguns países europeus impõe sanções limitadas ao Zimbábue, mas existe o temor de que medidas econômicas mais duras afetariam em particular a população do país, que já enfrenta uma das maiores inflações do mundo.

O chefe da agência de refugiados da ONU, Antonio Guterres, alertou que, se os países africanos não chegarem a uma solução para a crise, as conseqüências para todo o sul do continente podem ser bastante sérias.

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