Tsvangirai assume como premiê no Zimbábue e compartilha poder com Mugabe

Harare, 11 fev (EFE).- O líder opositor Morgan Tsvangirai jurou hoje o cargo de primeiro-ministro do Zimbábue para formar um Governo de união nacional com o presidente Robert Mugabe, que, assim, cederá pela primeira vez parte do poder absoluto que exerceu no país nos últimos 29 anos.

EFE |

A cerimônia ocorreu nos jardins do palácio presidencial de Harare, com um grande número de convidados ao ato constitutivo do Governo de unidade, que busca tirar o país da crise política e econômica.

Tsvangirai fez o juramento em frente a Mugabe, separados por uma mesa, na qual, depois, os dois assinaram os documentos que transformam o opositor em primeiro-ministro, antes de apertarem as mãos, em meio aos aplausos dos convidados.

"Eu, Morgan Richard Tsvangirai, juro servir justa e verdadeiramente ao Zimbábue no cargo de primeiro-ministro da República. Que Deus me ajude", disse Tsvangirai, de 56 anos e até então inimigo do regime de Mugabe, por quem foi detido diversas vezes nos últimos oito anos.

Após o juramento de Tsvangirai, líder da facção majoritária do Movimento para a Mudança Democrática (MDC), também assumiram como vice-primeiros-ministros Thokozani Khupe - da mesma legenda - e Arthur Mutambara, chefe da facção minoritária do MDC.

A esposa de Mugabe, Grace, também foi ao local do juramento e apertou a mão de Tsvangirai, Khupe e Mutambara.

Entre os convidados estavam o ex-presidente da África do Sul Thabo Mbeki, mediador na crise zimbabuana; o presidente de Moçambique, Armando Guebuza; o rei da Suazilândia, Mswati III; o presidente da Comissão da União Africana, Jean Ping; e o secretário da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), Tomás Salomão.

Com este ato, Mugabe, que completará 85 anos este mês, compartilha pela primeira vez o poder que monopolizava no Zimbábue desde a independência do país do Reino Unido, em 1980.

Tsvangirai, que foi acompanhado pela esposa, Susan, à cerimônia, mostrou-se tenso antes do início, após exigir a libertação dos cerca de 40 simpatizantes de seu partido e defensores dos direitos humanos presos no país, exigência que não foi atendida.

O novo Governo, cujo gabinete de ministros será formado na próxima sexta-feira, tem o desafio de tirar o país de uma crise política, que gerou uma situação econômica desastrosa e uma catástrofe humanitária.

Segundo a ONU, 7 milhões dos 12 milhões de habitantes do Zimbábue precisarão este ano de ajuda alimentar para sobreviver, enquanto uma epidemia de cólera afetou cerca de 70 mil pessoas e causou 3,4 mil mortes nos últimos meses.

Tsvangirai já divulgou sua lista de ministros, na qual destaca-se a designação como ministro das Finanças de Tendai Biti, que, até semana passada, era acusado de "traição" pelo regime do presidente Mugabe.

Há até pouco tempo, Biti era contra aceitar um Executivo conjunto com a governante União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF), de Mugabe, que continuará como presidente, segundo um acordo obtido com a mediação da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC).

Muito dos partidários de Tsvangirai, assim como Biti, têm dúvidas de que seja possível avançar em um Governo conjunto com a Zanu-PF, que adiou por vários meses a constituição do Gabinete, pois pretendia ficar com todas as pastas relevantes e deixar as secundárias para o MDC.

O próprio Tsvangirai mostrou várias vezes suas dúvidas sobre a "seriedade" de Mugabe em relação ao Governo de unidade e, em declarações divulgadas hoje pela televisão sul-africana "e-News", disse que "partimos do zero (...) e nem sequer eu tenho certeza de que isso vá adiante". EFE rt/an

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