Tsunami em ilha chilena deixou poucos sobreviventes

Por Ignacio Badal CONSTITUCIÓN, Chile (Reuters) - Mal sentiu a terra tremer, Mario Leal se atirou na água e nadou desesperadamente até a outra margem para procurar ajuda. Deixou para trás a mulher e os dois filhos, que não voltou a ver com vida.

Reuters |

Segundo testemunhas, pelo menos outras 200 que acampavam como eles na ilha Orrego continuam desaparecidas, cinco dias depois do terremoto de magnitude 8,8 e dos subsequentes tsunamis no centro e sul do Chile.

"Morreram todos lá. Havia famílias completas, de 10, 12 pessoas. Todos acampando. Eu perdi tudo. Toda a minha família e a minha casa", disse Leal à Reuters, ainda comovido e com o olhar perdido.

Os gritos de socorro continuam ecoando na cabeça desse pescador de 30 anos, que não conseguiu um bote para resgatar as vítimas. Ele enterrou a mulher na quarta-feira. Os filhos, de 7 e 9 anos, continuam desaparecidos.

Ainda há centenas de desaparecidos por causa da tragédia no Chile, o que pode fazer com que o número final de vítimas fatais supere muito os atuais 802.

Outra sobrevivente na ilha Orrego foi Mariela Rojas, que ao ver a maré subir colocou o único colete salvavidas disponível em seu filho de dois anos e meio. "Eu me agarrei a ele e deixamos que a onda nos levassem", disse a mulher, de 23 anos. Mãe e filho foram parar a 20 quilômetros dali, sob uma ponte onde foram resgatados. Desde então, temendo novos tsunamis, eles se refugiam em um morro diante da ilha, na cidade de Constitución.

Os sobreviventes da ilha, que fica na foz do rio Maule, disseram que a Marinha não os ajudou. Leal contou que, ao pedir um bote para o socorro, ouviu que não havia motivo de preocupação. "Diziam para mim que não era nada, que eu não me preocupasse porque não havia alerta de tsunami", contou.

A Marinha chilena admitiu que hesitou em lançar o alerta sobre tsunamis, o que poderia ter poupado centenas de vidas em localidades litorâneas.

Testemunhas disseram que a ilha recebeu três ondas grandes, de até 15 metros de altura, e até mais de três horas depois do terremoto. Na quinta-feira, o mar continuava devolvendo corpos em uma praia no norte da ilha. Leal, por via das dúvidas, prefere continuar o mais longe possível da orla.

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