Tropas russas iniciam retirada de regiões separatistas da Geórgia

Misha Vignanski. Tbilisi, 8 out (EFE) - As tropas russas na Geórgia iniciaram hoje sua retirada das faixas de segurança em torno das regiões separatistas da Ossétia do Sul e da Abkházia e devem concluir o recuo na sexta-feira, para serem substituídas por observadores da União Européia (UE). Os militares russos começaram, às 10h (horário local), sua retirada das zonas de segurança em torno da Ossétia do Sul e da Abkházia, regiões cujas independências foram reconhecidas após o curto, mas violento, conflito com a Geórgia. Em cumprimento aos acordos entre os presidentes da Rússia e da França, começamos a retirada dos postos, disse à imprensa em Tskhinvali, a capital da Ossétia do Sul, o comandante das tropas russas nessa região, general Marat Kulakhmetov. O processo começou. Ainda não retiraram os postos, mas estão trabalhando nisso, afirmou esta manhã à Agência Efe o porta-voz do Ministério do Interior georgiano, Shota Utiashvili, e o Ministério da Defesa russo confirmou em Moscou a saída de seus soldados.

EFE |

Utiashvili acrescentou que colunas com militares e material bélico também estão saindo da faixa de segurança em torno da Abkházia, e a televisão georgiana mostrou imagens dos veículos russos em processo de retirada.

O recuo acontece na presença da Missão de Observadores da UE (EUMM, em inglês) na Geórgia, cujo chefe, Hansjörg Haber, supervisiona pessoalmente este processo na região georgiana de Zugdidi, na fronteira com a Abkházia.

Próximo à Ossétia do Sul, máquinas niveladoras do Exército russo derrubaram, em três horas, os seis postos de controle instalados na região georgiana de Shida Kartli, encheram as trincheiras e retiraram os últimos materiais bélicos em caminhões.

Mais cedo, militares do esquadrão antibombas desarmaram os explosivos nos acessos aos postos de controle e mediram o nível de radiação. Em seguida, entregaram os seis setores à parte georgiana na presença de observadores europeus.

"Medimos os níveis de radiação e revisamos o território dos postos junto com representantes georgianos. A situação ambiental está em ordem e não foi encontrado material explosivo", disse o general Kulakhmetov.

Kulakhmetov acrescentou que "foram assinados os documentos correspondentes sobre todos esses assuntos" na presença de observadores da EUMM na Geórgia.

O general explicou que suas tropas concluirão a retirada da Ossétia do Sul "antes do anoitecer", embora devam completá-la formalmente na sexta-feira, segundo o acordo entre Rússia e França, país que exerce a Presidência de turno da UE.

A retirada das tropas será um dos assuntos a serem discutidos hoje pelos presidentes da França, Nicolas Sarkozy, e da Rússia, Dmitri Medvedev, em um encontro na cidade francesa de Evian.

O ministro de Assuntos Exteriores francês, Bernard Kouchner, supervisionará, na sexta-feira, a retirada das tropas russas.

Uma vez concluído o recuo, a EUMM na Geórgia assumirá sozinha as funções de supervisão nessas faixas entre o território georgiano administrado por Tbilisi e as regiões separatistas.

Enquanto isso, Moscou manterá suas tropas e grande quantidade de material bélico na Ossétia do Sul e na Abkházia, que desejam fazer parte do território russo e onde o Kremlin pretende instalar bases militares.

Além disso, a EUMM na Geórgia supervisionará o retorno às faixas de segurança de dezenas de milhares de civis expulsos de suas casas pela ofensiva militar lançada pela Rússia em agosto em resposta a um ataque georgiano à Ossétia do Sul.

Segundo Haber, a missão, que iniciou seus trabalhos no país caucasiano no dia 1º, contará com 352 pessoas, entre elas 200 observadores propriamente ditos, que não carregam armas.

Os observadores europeus, que permanecerão pelo menos um ano na Geórgia, ficarão posicionados em Tbilisi, em Gori (próximo à Ossétia do Sul), em Zugdidi (na fronteira com a Abkházia) e na estratégica cidade portuária de Poti (no Mar Negro).

Um total de 22 países europeus contribui com a EUMM, entre eles Itália, Polônia, Alemanha, Suécia, Espanha, mas, principalmente, a França.

A UE também deseja posicionar observadores na Abkházia e na Ossétia do Sul, mas os presidentes das duas regiões separatistas se recusam a isto.

Na semana passada, durante a inauguração do centro da EUMM em Tbilisi, o alto representante para Política Externa e Segurança Comum da UE, Javier Solana, disse que a Rússia deve retirar suas tropas de todo o território georgiano, inclusive da Abkházia e da Ossétia do Sul.

"Segundo o estipulado, a Rússia deve recuar suas tropas às posições anteriores a 8 de agosto, ou seja, de todo o território da Geórgia", afirmou Solana na ocasião. EFE mv/wr/db

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG