Tropas russas iniciam retirada da Geórgia

A Rússia confirmou que suas tropas começaram a deixar partes ocupadas da Geórgia nesta segunda-feira.

BBC Brasil |

Segundo o general russo Anatoly Nogovitsy, "a retirada das forças de paz russas foi iniciada nesta segunda-feira", mas de acordo com ele ainda levará "alguns dias" para que as posições russas retornem às suas posições originais antes do início do conflito com a Geórgia, no dia 7 de agosto, conforme no acordo de cessar-fogo assinado pelos dois países com mediação da União Européia.

Apesar das declarações do general russo, o correspondente da BBC em Gori, Gabriel Gatehouse, disse que as forças russas permanecem em Igueti, a 35 quilômetros da capital georgiana, Tbilisi, e ainda controlam a entrada e a saída de Gori.

Na sexta-feira, a Rússia havia anunciado que começaria a transferir o controle da cidade às tropas georgianas, mas nesta segunda-feira ainda é grande a presença dos militares russos no local.

'Resposta esmagadora'

A retirada das tropas russas faz parte de um acordo de trégua assinado no fim de semana por autoridades da Geórgia e da Rússia, intermediado pelo presidente francês, Nicolas Sarkkozy.

No domingo, o presidente russo, Dmitri Medvedev telefonou para Sarkozy para informá-lo que as tropas russas começariam a deixar a Geórgia nesta segunda-feira.

O líder russo, no entanto, não especificou se as tropas enviadas ao país vizinho durante o conflito retornariam à Rússia, levantando suspeitas de que seriam deslocadas para a Ossétia do Sul, onde poderão ficar estacionadas.

Na segunda-feira, o líder da Ossétia do Sul, Eduard Kokoity, disse que pedirá à Rússia que instale uma base militar na região separatista e rejeitou a presença de observadores internacionais.

Kokity disse que os cidadãos russos na Ossétia do Sul "precisam ser protegidos da Geórgia".

O presidente russo reagiu, dizendo que qualquer agressão contra cidadãos russos será reprimida com uma "resposta esmagadora".

"Nós nunca permitiremos que alguém mate nossos cidadãos e escape impune", disse Medvedev.

Conselho Europeu

O presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, que até o domingo vinha adotando um tom agressivo em suas críticas em relação à Rússia, passou a adotar uma postura mais conciliatória.

Em um discurso transmitido pela televisão nesta segunda-feira, Saakashvili pediu à Rússia que retire suas tropas do país para "dar início ao diálogo".

"Nós pedimos a retirada das forças de ocupação russas para que possamos começar a refletir e negociar sobre como poderemos evitar a indiferença entre nossos países de forma definitiva".

Até o domingo, Saakashvili vinha lançando repetidos ataques verbais contra a Rússia e chegou a acusar o país de fazer uma "limpeza étnica" dentro da Geórgia e de outros abusos contra os direitos humanos.

O acordo intermedidado por Sarkozy, que está no comando rotativo da União Européia, prevê que os dois lados encerrem as atividades militares e retornem às suas posições originais de antes do início do conflito.

Em uma coluna de opinião publicada no jornal francês Le Figaro, Sarkozy disse que se a Rússia não cumprir o acordo "rápido e totalmente" ele convocará uma sessão extraordinária do Conselho Europeu.

"A retirada das tropas deve ser concretizada sem atraso", disse o presidente. "Para mim, este ponto não é negociável", disse o líder francês.

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