Tropas russas descumprem plano e ficam na Geórgia

Tropas da Rússia continuam a ocupar cidades da Geórgia nesta segunda-feira, apesar de o presidente russo, Dmitri Medvedev, ter anunciado que elas começariam a deixar o país vizinho.

BBC Brasil |

No domingo, o presidente russo telefonou para o líder francês, Nicolas Sarkozy, para informar que as tropas russas começariam a deixar a Geórgia nesta segunda-feira.

Segundo o correspondente da BBC em Gori, Gabriel Gatehouse, a retirada das forças russas estava marcada para o meio-dia no horário local, mas horas mais tarde ainda não havia sinais de movimentação de tanques, veículos de artilharia e outros veículos militares russos para deixar as cidades ocupadas.

Ainda de acordo o correspondente, os soldados russos mantêm suas posições Igueti, a 35 quilômetros da capital georgiana, Tbilisi, e ainda controlam a entrada e a saída de Gori.

Na sexta-feira, a Rússia havia anunciado que começaria a transferir o controle da cidade às tropas georgianas, mas nesta segunda-feira ainda é grande a presença dos militares russos no local.

Conselho Europeu

A retirada imediata das tropas russas da Geórgia está prevista no plano de paz proposto por Sarkozy, que comanda a presidência rotativa da União Européia, e assinado pelos líderes da Rússia e da Geórgia no fim de semana.

O acordo prevê que os dois lados encerrem as atividades militares e retornem às suas posições originais de antes do início do conflito.

Em uma coluna de opinião publicada no jornal francês Le Figaro, Sarkozy disse que se a Rússia não cumprir o acordo rápido e totalmente ele convocará uma sessão extraordinária do Conselho Europeu.

A retirada das tropas deve ser concretizada sem atraso, disse o presidente. Para mim, este ponto não é negociável.
O presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, que até o domingo vinha adotando um tom agressivo em suas críticas em relação à Rússia, passou a adotar uma postura mais conciliatória.

Em um discurso transmitido pela televisão nesta segunda-feira, Saakashvili pediu à Rússia que retire suas tropas do país para "dar início ao diálogo".

Nós pedimos a retirada das forças de ocupação russas para que possamos começar a refletir e negociar sobre como poderemos evitar a indiferença entre nossos países de forma definitiva.

Até o domingo, Saakashvili vinha lançando repetidos ataques verbais contra a Rússia e chegou a acusar o país de fazer uma "limpeza étnica" dentro da Geórgia e de outros abusos contra os direitos humanos.

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