Tropas russas avançam em território georgiano

As tropas russas continuam sua incursão pela Geórgia neste sábado, apesar das negociações para um possível acordo de cessar-fogo. O correspondente da BBC Gabriel Gatehouse está em uma área próxima da capital, Tbilisi, e afirma que as tropas avançaram na direção oeste e estariam a 35 quilômetros da cidade - um avanço de cerca de 15 quilômetros na posição registrada anteriormente.

BBC Brasil |

Gatehouse afirma ainda que o clima é tenso na região.

Na principal estrada que liga o leste ao oeste do país, o correspondente da BBC Richard Galpin, confirmou o avanço das tropas no oeste do país.

As autoridades georgianas na cidade central de Khashuri afirmam que as tropas russas estariam patrulhando as ruas em veículos armados.

Além dos avanços, os russos continuam controlando a cidade estratégica de Gori, fora da Ossétia do Sul e a 70 km da capital georgiana, Tbilisi, depois que uma tentativa de patrulhamento conjunto com a polícia georgiana fracassou.

As autoridades russas afirmam que suas tropas não estariam lutando na Geórgia, mas observando o cumprimento do cessar-fogo pelas tropas georgianas.

Cessar-fogo
Na sexta-feira, o presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, assinou o plano de paz de seis pontos proposto pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy, que atualmente encabeça a Presidência rotativa da União Européia.

A assinatura foi feita depois de uma reunião de quatro horas com a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, em Tbilisi.

Apesar de concordar com os termos da proposta, o presidente disse que o acordo não é "uma solução permanente" para o conflito.

"Tenho de especificar que este não é um acordo de cessar-fogo, não é uma solução final. Estamos sob invasão russa e ocupação russa neste momento. E queremos encerrar a invasão e ocupação russa", disse o presidente georgiano.

A Rússia já recebeu, porém, ainda não assinou o documento proposto por Sarkozy. O país concordou em princípio com os termos do acordo.

Autoridades americanas afirmam que o ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, confirmou que Moscou irá cumprir com o acordo de cessar-fogo assinado pela Geórgia.

Durante sua visita à região, Rice afirmou que a Rússia deve retirar suas tropas do território da Geórgia e colaborar para que sejam enviados observadores internacionais para a região do conflito.

O presidente russo, Dmitri Medvedev, afirmou que não há futuro para a população da Ossétia do Sul e da província separatista de Abecásia dentro do Estado georgiano depois do conflito.

Em contrapartida, Saakashvili disse que a Geórgia jamais irá aceitar perder parte de seu território.

EUA
Na sexta-feira, o presidente americano, George W. Bush, acusou a Rússia de "ameaçar e intimidar" a Geórgia.

Segundo ele, a ofensiva militar em território georgiano era "completamente inaceitável".

Neste sábado, Bush deve realizar uma vídeoconferência com seus principais assessores, como Rice e o secretário de Defesa, Robert Gales, para discutir a crise na Geórgia.

O correspondente da BBC em Washington, Richard Lister, afirma que a retórica dos EUA e da Rússia nessa crise reproduz ecos da Guerra Fria.

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