Tropas israelenses deixam a devastada Faixa de Gaza

Por Nidal Al Mughrabi e Douglas Hamilton GAZA (Reuters) - Mais forças israelenses deixaram nesta segunda-feira a Faixa de Gaza, após 22 dias de ofensiva contra os militantes do Hamas, e ambos os lados mantiveram um cessar-fogo, permitindo que os perplexos palestinos avaliassem a destruição e velassem seus mortos.

Reuters |

No campo de refugiados de Jabalya, cenário de intensos, combates, nem uma só casa escapou ilesa. Enormes pilhas de lixo apodrecem nas esquinas, sendo vasculhadas por crianças que buscam garrafas plásticas vazias.

Fontes políticas israelenses dizem que a maioria das tropas deve sair de Gaza até terça-feira, e que no mesmo dia o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, deve visitar o território litorâneo e o sul de Israel. Seria a primeira personalidade política a entrar em Gaza desde a suspensão dos ataques israelenses, no domingo.

A ONU ainda não confirmou a visita dele na terça-feira. Ban havia condicionado o evento à melhoria nas condições de segurança.

Um porta-voz do braço armado do Hamas disse, com o rosto escondido sob um lenço quadriculado árabe, que o grupo vai repor seu arsenal, desafiando os eventuais esforços israelenses e árabes para impedir o contrabando de armas.

"Façam o que quiserem; trazer e manufaturar as armas sagradas é a nossa missão, e sabemos como adquirir armas", disse o porta-voz Abu Ubaida em entrevista coletiva.

Israel e o Hamas declararam tréguas precárias e em separado no domingo. O grupo islâmico, que governa Gaza, deu uma semana para que Israel retirasse suas tropas.

As tropas e os tanques invadiram o território no dia 3, após uma semana de bombardeios aéreos e marítimos, destinados a impedir o Hamas de atirar foguetes contra o sul de Israel.

Enquanto escavadeiras começam a retirar o entulho das ruas, o órgão oficial palestino de estatísticas estimou o custo da reconstrução em 1,9 bilhão de dólares.

Uma fonte do Hamas disse que 5.000 casas, 16 prédios públicos e 20 mesquitas foram destruídas, e que 20 mil casas foram danificadas. Israel diz que os militantes usavam mesquitas como depósitos de armas.

O rei Abdullah, da Arábia Saudita, prometeu 1 bilhão de dólares para a reconstrução de Gaza. Israel reabriu três acessos fronteiriços para permitir o acesso de mais mantimentos essenciais aos 1,5 milhão de habitantes.

Com o fim dos combates, os palestinos deixam seus esconderijos perplexos com a devastação. Fontes médicas dizem que pelo menos 700 civis morreram. "Queremos uma solução que garanta que os tanques israelenses não voltem para nos matar", disse Yehya Aziz.

Israel afirma que o Hamas colocou não-combatentes em risco ao agir em áreas muito populosas, e garante que a ofensiva matou centenas de militantes.

Dados divulgados pelo Hamas e por outros grupos militantes dão conta da morte de 112 combatentes e de 180 policiais do Hamas. Em três semanas de guerra, Israel registrou 13 mortes -- 10 militares e 3 civis.

(Reportagem adicional de Doug Hamilton em Jabalya e Adam Entous em Jerusalém)

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