As tropas georgianas enfrentam neste sábado unidades de elite russas, deslocadas na sexta-feira para a Ossétia do Sul em meio a um conflito que envolve separatistas que não escondem seu objetivo de se unir à Rússia.

Unidades militares russas do Exército 58 desdobradas no Cáucaso Norte, assim como pára-quedistas da 76ª divisão aerotransportada, de regimentos similares das regiões de Pskov, Ivanovo e Moscou, e Spetsnaz (forças de dissuasão) atacam desde de o início da madrugada desta sábado as tropas georgianas na Ossétia do Sul.

"Nossos pacificadores e as unidades que os apóiam estão realizando neste momento uma operação para implantar a paz na Geórgia. Também são responsáveis pela proteção da população", declarou o presidente russo, Dmitri Medvedev.

Os combates mais sangrentos acontecem na região de Tamarasheni, situada poucos quilômetros ao norte da capital da Ossétia do sul, Tskhinvali.

Tamarasheni, uma das quatro regiões que formam o chamado enclave do norte georgiano, nunca esteve sob controle dos separatistas da Ossétia do Sul e por ela passa a principal estrada da região. No enclave funciona a administração provisória alternativa aos separatistas, liderada por Dmitri Senakov.

As tropas georgianas continuam a atacar Tskhinvali com todas as suas armas, inclusive com artilharia pesada e foguetes.

Durante a madrugada os ataques aéreos russos a alvos militares e civis em todo o território georgiano continuaram.

Segundo a imprensa da Geórgia, mais de 20 pessoas morreram na cidade de Gori - próxima à fronteira com a Ossétia do Sul - durante os bombardeios da aviação russa.

Nesta madrugada, aviões russos voltaram a atacar o porto georgiano de Poti e a base militar na cidade de Senaki, ambas bem distantes da área de conflito na Ossétia do Sul.

Segundo fontes georgianas, pelo menos seis pessoas morreram devido a explosões de bombas no porto de Poti.

Outras 12 morreram em Senaki, onde ficaram feridos 14 militares e reservistas, cuja mobilização foi decretada na sexta-feira pelo presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili. Um dos feridos morreu depois, já no hospital.

Os georgianos afirmam ter derrubado dez aviões russos, entre eles um bombardeiro de longo alcance Tu-22, que voava a pelo menos cinco mil metros de altura.

Os separatistas abkhazes lançaram hoje uma ofensiva para assumir o controle do desfiladeiro de Kodori, habitado por georgianos.

"As forças armadas da Abkházia começaram uma operação para expulsar as tropas georgianas da parte alta do desfiladeiro de Kodori", declarou o ministro de Assuntos Exteriores da região separatista, Serguei Shamba.

Já o ministro da Defesa da Ossétia do Sul, Merab Kishmaria, admitiu por telefone à Agência Efe que se trata de uma "operação conjunta" com as tropas russas, mas não quis dizer se a parceria é com os capacetes azuis ou com forças regulares.

Ao longo de toda a guerra de secessão na Abkházia, de 1992 a 1995, as forças separatistas, apoiadas pela aviação e por unidades regulares russas, não conseguiram vencer a resistência dos três mil habitantes de Kodori.

Com a Geórgia envolvida no conflito da Ossétia do Sul, onde enfrenta tropas regulares russas, as autoridades da Abkházia decidiram que chegou o momento de tomar posse de seu último território que permanece fiel a Tbilisi e onde fica o Governo, considerado legítimo pela Geórgia.

O presidente georgiano, Mikhail Saakashvili, propôs hoje o fim imediato das hostilidades na Ossétia do Sul e o início do processo de desmilitarização da região separatista do país.

"Propomos o cessar-fogo imediato e o início da retirada de tropas da linha de confronto", disse Saakashvili em coletiva de imprensa.

A Rússia, no entanto, exige que a Geórgia se retire das fronteiras do cessar-fogo e ratifique o compromisso de não usar a força, disse hoje o presidente russo durante uma conversa telefônica com o presidente americano, George W. Bush.

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