Tropas etíopes começam a sair da Somália

Nairóbi (EFE).- As tropas etíopes abandonaram hoje várias de suas bases em Mogadíscio, dentro de sua retirada da Somália, onde chegaram há dois anos para apoiar o Governo Federal de Transição, respaldado pela ONU e a União Africana (UA).

EFE |

A retirada começou de madrugada no norte de Mogadíscio, e prosseguiu em Hayla Barise e Arafaad, também na capital somáli, onde os militares etíopes haviam se instalado em março de 2007.

Os 3 mil soldados etíopes destacados na Somália, ainda permanecem em quatro locais de Mogadíscio, segundo as fontes: O Palácio Presidencial, o antigo Ministério da Defesa, o aeroporto e a entrada sul da cidade.

Em comunicado divulgado hoje em Nairóbi, o representante especial da ONU para a Somália, Ahmedou Ould-Abdallah, assinalou que, "após a retirada das tropas etíopes de Mogadíscio, é responsabilidade dos somalis assegurar a paz e estabilidade em seu país".

Ould-Abdallah lembra que os responsáveis somalis pediram à ONU, em novembro, a retirada dos etíopes.

Centenas de pessoas se concentraram nas bases abandonadas, que os etíopes montaram em fevereiro de 2007, três meses após sua chegada, em dezembro de 2006, para expulsar de Mogadíscio a milícia fundamentalista das Cortes Islâmicas, que tinha ocupado a capital e a região sul da Somália.

Muitos se mostravam satisfeitos pela retirada etíope, entre eles Habiba Osman, de 34 anos que perdeu o marido e dois filhos em agosto, quando um míssil caiu sobre sua casa e a destruiu durante um confronto entre soldados etíopes e milicianos islâmicos.

Osman disse à agência Efe por telefone que sentia que "um problema gigante acabou e que 'um inimigo' se foi", enquanto pedia "justiça" e que fossem "castigados os assassinos".

Hoje mesmo, está prevista uma cerimônia em que tropas etíopes devem entregar o controle da cidade ao Comitê Conjunto de Segurança formado pelo Governo Federal de Transição (TFG) e os fundamentalistas "moderados" da Aliança para a nova Libertação da Somália (ARS).

Enquanto isso, os grupos radicais fundamentalistas tentam ocupar as bases abandonadas pelos etíopes, que devem ser ocupadas pela ARS -que advertiu essas organizações a evitar uma luta pelo poder na cidade.

O coronel Husien Siyad Qorqab, membro da ARS e do Comitê Conjunto de Segurança, lembrou à Efe por telefone que esta retirada "é parte do processo de paz", estipulado por seu grupo e o Governo Federal de Transição, e que exigiu "respeito" dos grupos islâmicos opostos aos acordos assinados por ambas as partes em Djibuti.

Com a retirada dos etíopes, se fica só a Missão Africana de Paz na Somália (Amisom), com apenas 3.600 militares de Uganda e Burundi, muitos menos do que os 8 mil que a UA previa enviar.

A situação continua muito violenta, pois o grupo radical Al Shabab, considerado pelos EUA ligado à Al Qaeda, que controla boa parte do centro e do sul da Somália, anunciou que seguirá sua tentativa de impor a "sharia" -lei islâmica.

Durante os dois anos de estadia das tropas etíopes na Somália, calcula-se que foram mortos cerca de 17 mil somalis, mil etíopes e dezenas de soldados da União Africana. EFE aa/jp

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG