Por Golnar Motevalli MARJAH, Afeganistão (Reuters) - Soldados dos Estados Unidos lideram uma das maiores ofensivas contra o Taliban no Afeganistão neste sábado, em um teste da estratégia do presidente Barack Obama de aumentar tropas no país.

Fuzileiros em helicópteros desceram no distrito de Marjah, o último grande reduto do Taliban na província de Helmand, nas primeiras horas da campanha da Otan para impor controle governamental sobre áreas rebeldes antes que as forças dos EUA comecem a se retirar do Afeganistão em 2011.

As tropas dispararam pelo menos quatro foguetes contra militantes que atacaram a partir de instalações perto do mercado da cidade de Marjah. Horas depois, a área ainda estava tomada pelo fogo da batalha.

Um soldado morreu na unidade em que o correspondente da Reuters está embarcado. Em uma casa próxima, uma família se abrigava em um cômodo, enquanto a roupa estendida balançava no varal do lado de fora.

"Estamos prosseguindo para capturarmos nosso objetivo. Estamos avançando há cinco horas do sudoeste, norte e leste e estamos prosseguindo para assegurar as áreas", afirmou o tentente Mark Greenkief, à Reuters.

O primeiro objetivo dos soldados é assumir o centro da cidade, um grande conjunto de moradias. Dois caças Harrier foram chamados para sobrevoar uma posição Taliban no centro da cidade e dispararam metralhadoras contra os militantes.

Como os civis da região, onde vivem cerca de 100 mil pessoas, os militares enfrentam risco de serem mortos em armadilhas com explosivos que se acredita tenham sido espalhadas pelo Taliban para retardar o avanço da ofensiva.

Um comandante local do Taliban, Qari Fazluddin, afirmou à Reuters mais cedo de que cerca de 2.000 combatentes do grupo estavam prontos para lutar.

Também no sul do Afeganistão, cinco soldados da Otan morreram em ataques a bomba em uma estrada, afirmou a organização em comunicado. Não ficou claro se eles foram mortos durante a ofensiva, mas a violência ilustra o quão vulnerável é a posição dos militares estrangeiros depois de oito anos de combate contra o Taliban.

A estratégia contra os insurgentes do comandante geral da Otan Stanley McChrystal enfatiza a tomada de centros populacionais e evitar combates em áreas muito populosas sempre que possível.

McChrystal frisou preocupações para se evitar a morte de civis e o número de civis mortos por tropas da Otan tem caído desde que ele assumiu o comando em meados de 2009.

Um número elevado de mortes pode arruinar a chance do governo de ganhar mais apoio dos afegãos. As forças da Otan alertaram civis para que não saiam de casa. Alguns já fugiram de Marjah.

"As forças internacionais têm de adotar determinados procedimentos e mecanismos durante a operação em Marjah para proteger os civis", disse o presidente afegão, Hamid Karzai, em um comunicado.

Em Marjah, Abdel Aziz, 16, conversou com os fuzileiros por meio de um tradutor:

"Todas as paredes entre as ruas e as casas estão forradas de bombas. A maior parte das pessoas teve de ir para Lashkar Gah. É para lá que queremos ir hoje."

Uma vizinha idosa de Aziz surgiu de sua casa e pediu para os soldados não dispararem contra ela. "É só a minha casa", disse ela.

MUITAS ARMADILHAS

Depois que helicópteros começaram a transportar soldados dos EUA para Marjah, tropas britânicas viajaram para norte do distrito de Nad Ali, acompanhadas por tanques e unidades de engenharia de combate.

"A primeira fase das operações está se processando com muito sucesso. O Taliban espalhou armadilhas explosivas na área, mas ainda não houve nenhum confronto pesado", afirmou à imprensa o governador de Hellmand, Gulab Mangal.

"Tomamos o controle de 11 áreas estratégicas no distrito e a resistência dos insurgentes está sendo sufocada."

A operação envolve 15 mil soldados e foi batizada de Mushtarak (que significa "juntos"), talvez para enfatizar que as forças da Otan e do Afeganistão estão determinadas a operar em conjunto para levar estabilidade ao país.

Se o aparente sucesso inicial poderá ser traduzido em um fim mais permamente dos insurgentes é uma questão da capacidade do governo em assegurar estabilidade econômica e política para o Afeganistão.

"Nosso objetivo não é a eliminação dos insurgentes. O objetivo é desenvolver influência do governo central, proteger os civis e prover segurança e estabilidade de longo prazo", afirmou o ministro da Defesa, Abdul Rahim Wardak, a jornalistas, em Cabul.

Marjah vem sendo há bastante tempo um campo de fomento da insurgência e uma lucrativa área de cultivo da papoula, da qual é produzido o ópio. Países ocidentais dizem que o comércio da papoula financia a insurgência contra as tropas da Otan e o governo afegão.

Mesmo se a Otan conseguir uma grande vitória sobre o Taliban em Helmand, militantes que estão na lista de alvo dos Estados Unidos operam em outros redutos dentro do Paquistão ou em áreas próximas da fronteira.

O Paquistão, um aliado dos EUA, mostra relutância em perseguir os militantes uma vez que vê esses grupos como um ativo de oposição à influência da rival Índia no Afeganistão.

Décadas atrás, a região de Marjah abrigava um projeto de desenvolvimento afegão-americano. Os canais da região, que cortam a área agrícola, foram contruídos pelos EUA.

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