Tropas dos EUA desembarcam em Palácio Presidencial do Haiti

Por Carlos Barria e Andrew Cawthorne PORTO PRÍNCIPE (Reuters) - Helicópteros Black Hawk dos Estados Unidos pousaram no terreno do Palácio Presidencial haitiano em Porto Príncipe nesta terça-feira, desembarcando soldados em um show de força militar em apoio a uma grande operação de ajuda internacional.

Reuters |

Foi um dos envios de soldados dos EUA mais visível e potencialmente delicado no Haiti até agora. No terreno do antes elegante palácio presidencial, que foi destruído pelo tremor de magnitude 7, cerca de 20 helicópteros aterrissaram em série, deixando os soldados norte-americanos vestidos em roupas de combate, que iniciaram o descarregamento de caixas de garrafas de água e rações de alimentos, assim como equipamentos.

Pelo menos um líder latino-americano, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, acusou Washington de "ocupar" o Haiti sob o pretexto de uma operação humanitária.

Durante várias ocasiões na turbulenta história do Haiti, marines dos EUA interviram no Estado caribenho -- o mais pobre das Américas.

Mas os comandantes norte-americanos da operação de ajuda do Haiti tentam destacar que o envio de soldados ao país tem objetivos humanitários e total apoio do presidente haitiano René Préval.

Centenas de sobreviventes do terremoto, acampados num campo improvisado perto do Palácio Presidencial, correram até o gradil de ferro na frente do edifício, aglomerando-se e aguardando assistência.

"AÍ VÊM ELES!"

A multidão saudou a chegada dos soldados norte-americanos, dizendo "ótimo!" e "aí vêm eles!". Alguns pediram aos militares que controlassem os saques e os criminosos. Outros gritavam, enfurecidos: "Onde está a ajuda? Ainda não recebemos nada!".

Mas a maioria pareceu aliviada. "Não sabemos exatamente o que vieram fazer, mas acho que eles estão aqui para nos ajudar, então nós lhes damos as boas-vindas", disse à Reuters Alex Michel, um dos que observavam a cena.

"Não gostaríamos de ver o desembarque militar estrangeiro em nosso país, mas, dada a terrível situação em que nos encontramos, a presença deles é necessária", disse Moline Augustin, que também observava o movimento do lado de fora do palácio.

Mais de 11 mil militares dos EUA estão no Haiti, em embarcações na costa ou a caminho do país. Isso inclui fuzileiros navais e soldados aerotransportados.

Oficiais dos EUA afirmam que a principal missão dos soldados norte-americanos é humanitária, para participar e ajudar a proteger a enorme operação internacional de distribuição de assistência para as vítimas do terremoto. Mas eles acrescentam que também estarão preparados para aumentar a segurança em Porto Príncipe.

Desde o terremoto há uma semana, saqueadores invadiram lojas destruídas em partes da capital haitiana carregando o que conseguem levar e lutando entre eles. Alguns foram mortos a tiros pela polícia.

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