Tropas de Israel inocentadas por morte de cameraman

Soldados que tripulavam um tanque israelense foram inocentados da morte de um cameraman da agência de notícias Reuters, em Gaza, anunciou um dos principais advogados militar de Israel. Fadel Shana, de 24 anos, e várias pessoas presentes nas imediações foram mortos no dia 16 de abril ao serem atingidos por um disparo de um tanque que ele filmava, estacionado a mais de um kilômetro e meio de distância.

BBC Brasil |

Segundo o advogado do Exército, os soldados israelenses não podiam ver que Shana segurava uma câmera e que vestia uma jaqueta com a palavra "imprensa" e, portanto, tinham agido corretamente.

A Reuters disse que a decisão do tribunal coloca jornalistas em risco e que é profundamente perturbadora. A agência ressalta que o colete de proteção usado pelo cameraman tinha a inscrição "PRESS" e era do mesmo tipo usado por jornalistas que cobrem a região.

Em uma declaração, a Reuters disse que a conclusão do Exército pode efetivamente dar a soldados uma "permissão para matar" sem saber a identidade do alvo.

Shana estava cobrindo embates entre militantes e tropas de Israel quando foi morto na região central de Gaza.

Imagens feitas por sua câmera mostram o tanque abrindo fogo a vários metros de distância, depois, são interrompidas quando o disparo atinge o cameraman.

Em uma carta enviada à Reuters, o general israelense Avihai Mendelbilt disse que a tripulação do tanque tinha sido "incapaz de determinar a identidade do objeto fixado no tripé e saber com certeza se se tratava de um míssil anti-tanque, um morteiro ou uma câmera de televisão".

O Exército de Israel concluiu que a decisão de seus soldados de disparar tinha sido "sensata".

Ele disse que os soldados não tinham visto que a jaqueta e o carro de Shana traziam as palavras "imprensa" e "TV", e que suas suspeitas tinham sido aumentadas pelo fato de que tanto ele quanto o colega resonsável pelo som usavam coletes à prova de balas.

"Tendo em vista a conclusão razoável feita pela tripulação do tanque e por seus superiores, de que os indivíduos eram hostis e carregavam um objeto com grande probabilidade de ser uma arma, a decisão de atirar contra os alvos ... foi sensata", concluiu o general.

Mendelbilt disse que a morte de Shana foi "uma tragédia", mas nenhuma ação legal contra os soldados foi recomendada.

A Foreign Press Association, entidade que representa a mídia internacional de notícias operando em Israel e nos territórios palestinos, disse que estava consternada com a decisão.

O Exército de Israel tem "uma longa lista de casos onde seus soldados são inocentados de negligência mortal", disse a organização.

O editor chefe da Reuters, David Schlesinger, disse: "Estou extremamente desapontado com este relatório desculpando o uso de força mortal desproporcional em uma situação que o próprio Exército admitiu não ter analisado claramente".

"Eles parecem ter a opinião de que qualquer câmera colocada em posição poderia provocar uma resposta mortal".

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