Tropas da ONU usam disparos para dispersar multidão no Haiti

Tropas americanas e da ONU dispararam tiros de alerta contra multidões que tentavam invadir o aeroporto da capital haitiana, Porto Príncipe, nesta segunda-feira, quando ocorria a distribuição de alimentos.

BBC Brasil |

AFP
Soldado paquistanês da ONU dispersa multidão em frente ao aeroporto
Soldado paquistanês da ONU dispersa multidão em frente ao aeroporto

"Era perceptível no ar a raiva aumentada pela fome, já que em quase uma semana (após o terremoto) pouca ou nenhuma ajuda chegou às ruas de Porto Príncipe", disse o correspondente da BBC em Porto Príncipe David Loyn.

Helicópteros americanos vêm distribuindo, pelo ar, pacotes com refeições prontas e água, mas correspondentes afirmam que apenas algumas pessoas têm acesso a estes suprimentos.

O porta voz do Programa Mundial de Alimentos da ONU, Ben Yatri, afirmou que em poucos dias a ajuda deve chegar a muito mais pessoas do que as centenas de milhares que estão sendo atualmente alimentadas.

Mas ele disse que a segurança vem piorando e que "cada caminhão que parte carregando suprimentos precisa ser escoltado por militares para não ser atacado".

Violência

Agentes humanitários vêm enfrentando dificuldades para chegar às vítimas, muitas acampadas em locais improvisados ao lado de corpos em decomposição.

"A situação é muito dura no terreno, mesmo para agências e países que querem ajudar. A sobrevivência mínima é complicada, até mesmo para agentes humanitários", disse a diretora Geral da Organização Mundial de Saúde, Margareth Chan.

Também na segunda-feira ocorreram relatos de que a polícia haitiana disparou contra uma multidão que tentava invadir lojas em um subúrbio da cidade.

Os saqueadores tentavam levar qualquer item que pudessem, mas correspondentes dizem que pastas de dente estavam sendo especialmente procuradas, já que muitos a aplicavam nas narinas para tentar suportar o cheiro dos corpos em decomposição.

Em outro local, gangues de jovens iniciaram uma briga com machadinhas por caixas de rum.

Estados Unidos

Entretanto, o comandante militar americano em Porto Príncipe, Ken Keen, descreveu na segunda-feira a situação na cidade como "calma".

Ele afirmou que apesar de episódios de violência, as informações que teria eram que "os níveis de violência que vemos são similares aos que víamos antes do terremoto". Outros dois mil fuzileiros americanos devem juntar-se em breve aos cerca de mil soldados dos EUA no Haiti.

Correspondentes dizem que uma fila de cerca de 5 mil pessoas formou-se em frente ao consulado americano na cidade, com pessoas tentando emigrar para os EUA.

Além dos soldados americanos, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, pediu, nesta segunda-feira, aos membros do Conselho de Segurança o envio de mais 3,5 mil soldados e policiais para o Haiti.

Ban esteve em Porto Príncipe no domingo e afirmou que são três as prioridades no Haiti no momento: salvar a maior quantidade possível de vidas, acelerar a assistência humanitária e garantir a coordenação da ajuda estrangeira que chega ao país.

"As cenas de partir o coração que vi ontem (domingo) nos impulsionam a agir rápida e generosamente", completou.

Veja também:

Leia mais sobre terremoto

    Leia tudo sobre: haititerremoto

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG