Tropas da ONU são acusadas de armar rebeldes no Congo

Uma investigação realizada pela BBC encontrou evidências de que tropas de paz das Nações Unidas na República Democrática do Congo teriam fornecido armas para milícias e contrabandeado ouro e marfim. A investigação de 18 meses ouviu fontes confidenciais da ONU e sugere que a organização ignorou ou acobertou denúncias envolvendo soldados paquistaneses e indianos.

BBC Brasil |

De acordo com as evidências obtidas pela BBC, tropas de paz do Paquistão operando na cidade de Mongbwalu, no leste do país africano, envolveram-se no comércio ilegal de ouro e forneceram armas aos rebeldes da milícia FNI para garantir a segurança das minas.

Ainda segundo as investigações, soldados indianos presentes na cidade de Goma, no leste do Congo, estiveram diretamente envolvidos com milícias responsáveis pelo genocídio de Ruanda.

As forças indianas ainda teriam contrabandeado ouro, comprado drogas de membros das milícias e viajado em um helicóptero da ONU até o Parque Nacional de Virunga, onde trocaram munição por marfim.

Investigações

As Nações Unidas disseram ter investigado algumas acusações contra os soldados paquistaneses em 2007 e concluíram que um deles teria se envolvido com comércio ilegal de ouro ao permitir que os negociantes usassem um avião da ONU para chegar até a base da organização, na cidade de Mongbwalu.

As autoridades da ONU, no entanto, afirmaram que "diante da ausência de evidências mais contundentes, os investigadores não podiam provar alegações de que as tropas de paz paquistanesas forneceram armas para a milícia".

"A investigação não encontrou evidências de contrabando de armas, mas identificou um indivíduo que parece ter facilitado o contrabando de ouro", disse o coordenador das operações de paz da ONU em Nova York, Jean-Marie Guehenno.

"Nós dividimos essas informações com o comando das tropas no local e esperamos que sejam tomadas as ações necessárias. O assunto está encerrado", acrescentou Guehenno.

Pressão política

Fontes confidenciais da ONU, no entanto, disseram à BBC que as investigações não foram levadas adiante por medo de isolar a Índia e o Paquistão, que juntos fornecem quase um quarto do total de tropas de paz da ONU.

Em visita ao Congo, o correspondente da BBC Martin Plaut conseguiu conversar com um dos líderes da FNI, preso na capital Kinshasa.

"Sim, é verdade. Eles nos deram armas. Eles diziam que era para a segurança do país e nos disseram que iríamos ajudá-los a tomar conta da região", disse o general Mateso Ninga, conhecid como Kung Fu, ao repórter da BBC.

A operação de paz da ONU no Congo é a maior do mundo, com 17 mil soldados espalhados pelo país.

Segundo o correspondente da BBC, desde que foi implantada, em 2000, a força de paz ajudou a trazer estabilidade ao país, realizou eleições e auxiliou na reconstrução do país africano.

Os resultados da investigação serão exibidos nesta segunda-feira no programa Panorama, do canal de TV britânico BBC 1.

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