Bagdá, 17 dez (EFE).- O primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, anunciou hoje em visita ao Iraque que as tropas britânicas deixarão o país árabe no final de julho de 2009, após finalizar sua missão em 31 de maio.

"As tropas britânicas, presentes atualmente no país, finalizarão sua missão em 31 de maio e completarão sua retirada dois meses depois da finalização", explicou Brown em entrevista coletiva em Bagdá com seu colega iraquiano, Nouri al Maliki.

Por sua parte, Maliki especificou que no acordo celebrado com o Reino Unido há um artigo "que permite ao Governo iraquiano estender a presença militar britânica no país, caso necessite".

Atualmente, o Reino Unido mantém cerca de 4.100 militares em uma base militar a 20 quilômetros ao oeste da cidade de Basra, no sul do Iraque, após ceder o controle da segurança da província do mesmo às forças iraquianas no ano passado.

O ministro britânico chegou hoje a Bagdá em uma visita surpresa, onde, além de se reunir com Maliki, encontrou também os dois vice-presidentes iraquianos, o sunita Tareq al Hashemi e o xiita Adel Abdel Mahdi.

Pouco após seu encontro, Brown e Maliki confirmaram em comunicado conjunto, o que Londres já tinha anunciado em 10 de dezembro: o fim da missão dos soldados britânicos no Iraque no primeiro semestre de 2009.

"O trabalho realizado pelas tropas britânicas (no Iraque) caminha para o final. Estas tropas encerrarão sua missão na primeira metade de 2009 e deixarão o Iraque", afirma a nota, que não dá mais detalhes.

Na entrevista coletiva posterior, Brown após precisar as datas, comprometeu-se a oferecer mais dados sobre a retirada amanhã, na Câmara dos Comuns (equivalente à dos Deputados) de seu país.

Além disso, explicou que antes de deixar o Iraque os soldados de seu país terão que cumprir quatro objetivos: "Treinar as forças iraquianas, transformar o aeroporto militar de Basra em um civil, contribuir para o desenvolvimento da economia de Basra e oferecer apoio para as próximas eleições provinciais iraquianas, em 31 de janeiro", acrescentou.

Além disso, o primeiro-ministro do Reino Unido louvou a tarefa desenvolvida pelos soldados do Reino Unido "por transformar Iraque em um lugar melhor".

Por outro lado, Brown pediu a libertação de cinco reféns britânicos, seqüestrados desde maio de 2007 no país árabe.

A quarta visita ao Iraque do primeiro-ministro do Reino Unido desde que tomou posse, em junho de 2007, acontece um dia após o Executivo iraquiano aprovar um projeto de lei que estabelece um período de sete meses para a retirada definitiva das tropas multinacionais presentes no país.

O texto, que exclui as tropas americanas - que ficarão até 2011 -, fixa um prazo de cinco meses para a retirada dos corpos de combate e dois meses adicionais para a saída definitiva de todo o pessoal militar, embora não fixe uma data de início de sua aplicação.

A visita de Brown ocorre depois de o presidente americano, George W. Bush, viajar para Bagdá no domingo passado para ratificar o pacto de segurança entre EUA e Iraque, que estabelece a retirada dos soldados norte-americanos antes de 2012.

Precisamente, no final deste mês, expira o mandato concedido pelo Conselho de Segurança da ONU às forças estrangeiras ocupantes no Iraque, que dava base legal para a presença no país árabe.

O ex-primeiro-ministro do Reino Unido Tony Blair, trabalhista como Brown e quem o indicou para o cargo, foi o principal aliado de Bush, na invasão iniciada em março de 2003 para derrubar o então ditador iraquiano, Saddam Hussein.

Blair enviou 45 mil soldados para a ação militar liderada pelos EUA, número que foi gradativamente reduzido por Brown.

Desde a chegada das forças do Reino Unido ao Iraque, no final de março de 2003, morreram 177 britânicos.EFE sy/jp

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