Tropas brasileiras distribuem alimentos em favela do Haiti

As tropas internacionais da ONU lideradas pelo Brasil distribuíram comida e água em uma das maiores favelas do Haiti neste domingo, em meio a críticas de que as vítimas do terremoto não estavam recebendo auxílio suficientemente rápido.

Reuters |

Os sobreviventes foram acomodados em más condições em cerca de 300 acampamentos improvisados por toda a capital destruída do Haiti, Porto Príncipe. Alguns reclamam não ter recebido ajuda suficiente após 12 dias do forte terremoto que atingiu o país caribenho, apesar de uma ampla operação internacional.

AFP
Soldado americano dá água à criança haitiana

Soldado americano dá água à criança haitiana


Na favela Cité Soleil, membros do Exército americano formaram um corredor ao lado de casas, enquanto centenas de haitianos fizeram fila para receber pacotes de comida, água e biscoitos. A favela tem sido um foco de violência, mas não houve registros de problemas durante a entrega dos alimentos.

Instruções sobre a distribuição foram feitas por meio de alto-falantes em caminhões, e os sacos de arroz, feijão e farinha de milho foram entregues.

"A ajuda que temos disponível está sendo distribuída", disse o tenente-general Ken Keen, comandante da operação militar americana no Haiti. "Mas a necessidade é tremenda."

"Todo dia é um dia melhor do que ontem. Amanhã será um dia melhor do que hoje."

Em resposta às críticas, o diretor da Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional Rajiv Shah disse que sua organização está fazendo tudo que pode em circunstâncias difíceis.

"A escala da destruição e as consequências para as pessoas não têm paralelo. Nunca atenderemos as necessidades tão rapidamente quanto gostaríamos", disse Shah. "Ficaremos aqui, prestando ajuda, por um longo tempo."

Em 12 de janeiro, um terremoto de magnitude 7 matou mais de 200 mil pessoas, segundo as autoridades haitianas, e deixou mais de 3 milhões de feridos e desabrigados. Após o desastre, o país mais pobre das Américas ainda sofre com o atendimento médico insuficiente, além da falta de comida e água.

Embora as Nações Unidas tenham anunciado que o governo do Haiti havia suspendido as operações de busca e salvamento, equipes de resgate internacionais conseguiram retirar no sábado um homem preso sob os escombros em Porto Príncipe .

Governo encerra as buscas:



Distribuição de alimentos

Além dos desafios logísticos, há ainda preocupações sobre a segurança e as operações de distribuição de comida.

No sábado, em um acampamento em Porto Príncipe, pessoas desesperadas por comida agarraram sacos de arroz durante o descarregamento de um caminhão, mesmo diante de guardas americanos e da ONU.

O caos preocupou os funcionários da Plan International, que interromperam o fornecimento de alimentos até que a multidão fosse controlada. Cada saco de comida foi entregue para ser dividido para quatro adultos na fila. Cerca de 15 mil pessoas esperavam pelos mantimentos.

O Programa Mundial de Alimentos foi forçado a suspender algumas das atividades de distribuição, após ataques a dois de seus comboios de ajuda na sexta-feira, disse Thiry Benoit, diretor adjunto da agência da ONU para o Haiti.

Uma maternidade no subúrbio de Petionville fez um pedido urgente por comida, no sábado, dizendo que estava lotada de mulheres grávidas e sem alimentos disponíveis. O grupo Food for the Poor afirmou ter enviado um carregamento de arroz, feijão e outros produtos para o local.

Autoridades do Programa Mundial de Alimentos estimam que alguma forma de auxílio já chegou a mais de dois terços dos acampamentos de desabrigados.

Em meio à devastação, há indícios de que o Haiti está voltando à vida normal. As pessoas esperavam diante de bancos, reabertos no sábado, ansiosas para obter dinheiro para a compra de alimentos e bens essenciais.

Frutas e legumes voltaram a aparecer em abundância em bancas de rua, mas as pessoas dizem ter pouco dinheiro para comprá-los, afirmando que os preços estão mais altos do que antes do terremoto.

A maratona "Hope for Haiti Now", realizada na sexta-feira, liderada pelo ator George Clooney e pelo rapper haitiano Wyclef Jean, levantou mais de US$ 58 milhões em ajuda, segundo os organizadores .

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