Troca de e-mail entre médicos e pacientes é uma ajuda saudável

Pesquisa mostra que essa forma de comunicação melhora a saúde dos pacientes

The New York Times |

Pacientes com diabetes ou hipertensão ou ambos e que se comunicam com seus médicos por e-mail têm melhor assistência médica e melhor resultado de tratamento, de acordo com uma pesquisa realizada na Califórnia.

As melhorias como resultado da troca de e-mails incluem o controle de açúcar no sangue e da pressão arterial, segundo um relatório do Health Affairs.

O governo norte-americano implementou um sistema seguro de mensagens entre médicos e pacientes, como parte dos registros eletrônicos de saúde até 2013.

Uma consórcio de entidades médicas chamado Kaiser Permanente começou em 2004 a implementar um sistema seguro de saúde baseado na comunicação por e-mail. Esse trabalhou passou a ser realizado em todo os Estados Unidos.

No sul da Califórnia, cerca e três milhões de pacientes assim como todos os médicos de atenção primária e especializada do consórcio médico se inscreveram no programa e, ao final de 2008, mais de 35 mil pacientes adultos (7,8% dos membros em toda a área geográfica) e 3.092 médicos de atenção primária tem, de fato, usado o sistema.

Os autores do estudo, da Kaiser Permanente, analisaram 630.807 mensagens de e-mail entre pacientes e médicos de março de 2006 até dezembro 2008, então os compararam aos dados do ano anterior. A grande maioria dos e-mails (85%) foram enviados inicialmente pelos pacientes.

Aqueles que tinham enviado e-mails aos seus médicos tiveram melhora de 2,4% a 6,5% no controle de açúcar no sangue, no controle de colesterol assim como para retinopatia e nefropatias (doenças dos rins). Além disso, mais pacientes com diabetes ou hipertensão atingiram níveis de pressão sanguínea abaixo de 14/9.

E quanto mais frequentes eram trocados os e-mails, maiores eram as melhorias. De acordo com estudos anteriores, os pacientes enviavam e-mails geralmente para reportar algum tipo de mudança em sua condição, para falar sobre resultados de exames e para discutir assuntos relacionados a medicamentos.

Os pacientes também tendem a respeitar o trabalho dos médicos, sendo que três quartos deles enviam mensagens que são realmente relacionadas a assuntos médicos, em vez de “falar sobre a receita favorita de bolo de carne feito pela mãe”, disse Terhilda Garrido, vice-presidente de transformações em tecnologia de informação em saúde e análise da Kaiser Permanente e autora principal do estudo.

“Pode soar como um cliché, mas a hipótese (sobre o porque disso funcionar) é que colocar a informação na mão do paciente os faz sentir com poder e, portanto, com controle de sua condição”, acrescenta Garrido.

“Muitos de nossos pacientes dizem que isso realmente os fazem sentir mais perto e mais conectados com os seus médicos, sendo que há informação na literatura médica sobre essa relação entre medico e pacientes, sugerindo que ela possa melhorar a condição clínica dos pacientes”, disse.

O apelo da comunicação eletrônica ainda não é contagioso ou rápido no mundo afora. Uma recente pesquisa de opinião da Harris Interactive/HealthDay descobriu que um pouco menos de 1 em cada 10 norte-americanos adultos usa registros medicos eletrônicos ou recorrem ao e-mail para contactar seus médicos.

Dr. Noelle LoConte, uma professora assistente de medicina da Universidade de Wiscosin, disse que ela recebe “surpreendemente poucos” e-mails por dia, apenas cinco ou seis. Mesmo assim, para ele, o sistema está funcionando.

“Para mim, é mais fácil preparar um e-mail do que estar constantemente no telephone, porque eu posso decidir quando vou abrir os e-mails”, diz Noelle. Frequentemente, isso significa depois que as crianças vão dormir e antes delas acordarem. Quanto aos pacientes, ela não ouve reclamações e “eles ainda têm o telefone dela”, diz.

*Por Amanda Gardner

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