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Triste Páscoa em L Aquila, onde começa avaliação dos danos

Os desabrigados de LAquila se preparavam neste sábado para uma triste Páscoa, ainda amedrontados pelos tremores que continuam sacudindo a região desde o violento terremoto da madrugada de segunda-feira, no momento em que os peritos começavam a avaliar os danos.

AFP |

"Infelizmente, vamos comemorar Páscoa aqui. Gostaria de estar com minha família", disse Anna Parisse, 70 anos, em um dos campos onde se amontoam cerca de 24.000 desabrigados de L'Aquila e de seus arredores.

Contudo, como tantas outras pessoas, Anna terá que esperar o fim do trabalho dos engenheiros civis.

Procedentes de todo o país, eles visitam todos os apartamentos e todas as casas para decidir o que tem de ser destruído, resgatado, ou o que é habitável.

"Os engenheiros ainda não começaram a trabalhar no centro histórico. Eles estão inspecionando a parte oeste da cidade, a área mais poupada pelo terremoto", explicou Massimiliano Cordeschi, diretor-geral dos serviços municipais de L'Aquila.

Na manhã deste sábado, cerca de 60 pessoas faziam fila diante de uma creche para declarar seu domicílio e solicitar a visita dos engenheiros.

"Dentro de um prazo de dois a 15 dias, dependendo do bairro onde moram, ligamos para eles e marcamos uma visita com os peritos", destacou Cordeschi.

"Mais de 18.000 pessoas vieram aqui desde terça-feira. Atendemos 6.000 a 7.000 por dia. Nosso horário normal de fechamento é as 18H30, mas nunca paramos antes das 23H30", afirmou, pedindo paciência aos moradores a medida que a fila aumentava.

"Todos nossos computadores foram destruídos. Estamos aproveitando para refazer o estado civil", frisou Cordeschi, ressaltando a dificuldade da tarefa: "Temos cerca de 80.000 pessoas para registrar".

"Demolições já foram decididas. Outros lugares já podem receber pessoas. No entanto, com exceção de uma ou duas pessoas que não têm medo, ninguém voltou para sua casa", declarou o diretor, num momento em que dois tremores secundários eram sentidos em menos de dez minutos.

Um homem de 50 anos deixou o local apressadamente. "Estou aguardando uma ligação, mas mesmo se minha casa for liberada pelos engenheiros, não voltarei. Por sorte, tenho um apartamento em Milão. Vou para lá imediatamente", afirmou.

Rossana Totani, outra moradora, aguardava a visita dos peritos mas também tinha suas dúvidas. "Para quê vistoriar, se os tremores continuam? Não sabemos o que pode acontecer. Vou ficar debaixo da barraca, onde não corro o risco de ver o teto cair na minha cabeça", comentou.

Cerca de 10.000 edifícios e casas foram danificados ou destruídos pelo violento terremoto, que deixou pelo menos 291 mortos e milhares de desabrigados.

Os voluntários começaram a instalar altares para celebrar a missa domingo nos campos de barracas. Cerca de 10.000 hóstias e 30 garrafas de vinho foram enviados à área devastada.

O Papa Bento XVI também ofereceu 500 ovos de Páscoa às crianças de L'Aquila, anunciou o Vaticano.

gle/yw

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