A Líbia resistirá às demandas britânicas para que indenize as vítimas de atentados do Exército Republicano Irlandês (IRA), afirmou o influente filho mais velho do dirigente líbio Muamar Kadafi.

Seif al-Islam declarou, em entrevista ao canal britânico Sky News, que qualquer pedido referente ao suposto fornecimento de explosivos ao grupo paramilitar norte-irlandês por parte da Líbia compete aos tribunais.

"Qualquer um pode bater a nossa porta. Vão aos tribunais. Têm seus advogados. Nós temos os nossos", disse.

Os comentários de Seif al-Islam foram feitos um dia depois do primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, ter prometido apoiar as reivindicações das famílias.

Brown anunciou que diplomatas prestariam assessoria aos representantes das famílias que pretendem viajar à Líbia nas próximas semanas para abrir negociações diretas com Kadafi.

O anúncio foi percebido como uma mudança de estratégia de Londres. Downing Street havia sido obrigado a confirmar no domingo informações da imprensa de que Brown considerava "inapropriado" no momento discutir a questão com Trípoli.

Britânicos feridos nos atentados do IRA e parentes de vítimas pedem indenizações à Líbia, país suspeito de fornecer armas, incluindo o explosivo Smentex, ao grupo republicano para a execução de atentados no Reino Unido nos anos 1980 e 1990.

Apesar de não ter cargo no governo líbio, Seif al-Islam dirige a Fundação Kadafi, que teve um papel importante na solução do contencioso entre Washington e Trípoli para indenizar as vítimas de atentados cometidos nos anos 80.

Trípoli pagou em 2008 um total de 1,5 bilhão de dólares de indenização às vítimas americanas do atentado de Lockerbie, que matou 270 pessoas em 1988, e de outro atentado contra uma discoteca de Berlim popular entre os soldados americanos em 1986. O ataque deixou três mortos e 260 feridos.

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