Trinta refugiados morrem em operação policial contra acampamento em Darfur

Cartum - Pelo menos 30 pessoas morreram na manhã de hoje e outras dezenas ficaram feridas em uma operação policial contra um campo de refugiados na região sudanesa de Darfur, atingida por um conflito armado há cinco anos.

EFE |

A denúncia partiu do dirigente tribal Mohammed Ibrahim Adam, em um contato telefônico com a Efe, no qual afirmou que o incidente ocorreu no campo de deslocados de Kalma, situado nas proximidades de Niyala, capital do sul de Darfur.

Ele afirmou que as vítimas ocorreram quando as forças de segurança sudanesas dispararam indiscriminadamente contra os refugiados, depois que estes últimos rejeitaram a entrada dos policiais no acampamento, que acolhe cerca de 90 mil deslocados.

Adam disse que as forças chegaram ao local em mais de 100 veículos, com o pretexto de apreender armas.

Por sua parte, o porta-voz da milícia rebelde Movimento Para a Justiça e a Igualdade (MJI), Ahmed Hussein, confirmou o massacre, ao indicar em comunicado que as forças governamentais abriram fogo contra os deslocados após desobedecer as ordens de despejar o campo.

Segundo ele, mais de 70 civis desarmados morreram baleados, enquanto outras centenas ficaram feridas.

Hussein pediu à ONU, à União Africana, às organizações humanitárias "e a todos os países amantes da paz que respondam sem demora ao pedido de auxílio dos refugiados de Kalma".

Por sua parte, a coordenadora de Assuntos Humanitários da Missão da ONU no Sudão, Amira Haq, disse que recebeu informações de que um número indeterminado de refugiados morreu ou ficou ferido em um tiroteio ocorrido em Kalma, depois que os carros policiais foram cercados.

Ela advertiu que incidentes dessa natureza representam um grande risco para os civis, e por isso pediu às partes envolvidas que se contenham, e permitam a transferência dos feridos a hospitais.

O conflito de Darfur explodiu em janeiro de 2003, quando grupos rebeldes pegaram em armas contra o regime de Cartum em protesto contra a situação desta província.

Desde então, mais de 200 mil pessoas morreram, e outros dois milhões e meio se viram obrigados a abandonar seus lares, segundo cálculos da ONU.

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