Trinta anos depois, 30.000 pessoas recordam genocídio de Srebrenica

Cerca de 30.000 pessoas recordaram nesta sexta-feira em Srebrenica, no leste da Bósnia, o massacre de 8.000 muçulmanos pelas forças sérvio-bósnias em 1995.

AFP |

A cerimônia aconteceu no memorial de Potocari, perto de Srebrenica, na presença do alto representante da comunidade internacional, Miroslav Lajcak, e de Haris Silajdzic, membro muçulmano da presidência tripartidária (sérvia, croata e muçulmana) da Bósnia.

"Peço ao Parlamento Europeu que passe a considerar o dia 11 de julho como um dia de luto em toda a Europa", declarou Mustafa Ceric, chefe da comunidade islâmica da Bósnia.

No fim da cerimônia, um imã pronunciou a oração dos mortos antes que os restos de 308 vítimas identificadas recentemente, que tinham entre 15 e 84 anos no momento da tragédia, sejam enterrados.

Os restos de cerca de 2.900 pessoas retiradas de valas comuns e identificadas por testes de DNA já foram enterrados em Potocari desde a inauguração do memorial, em 2003.

"Perdi tudo o que tinha. Minha vida não vale mais nada", disse Munira Salihovic, que perdeu dois filhos durante o conflito sérvio-bósnio (1992-1995), assim como seu terceiro filho e o marido durante o massacre de Srebrenica, o pior cometido na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

"Nós, as vítimas do genocídio, seguimos lutando para mostrar ao mundo o que aconteceu aqui. Enquanto isso, as pessoas que organizaram esse massacre continuam em liberdade", denunciou Munira Subasic, líder da Associação das mães de Srebrenica, referindo-se aos ex-chefes político e militar dos sérvios da Bósnia, Radovan Karadzic e Ratko Mladic, indiciados em 1995 pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) para a ex-Iugoslávia por genocídio e que ainda estão foragidos.

Em julho de 1995, cerca de 8.000 pessoas foram impiedosamente massacradas pelas forças sérvio-bósnias que tomaram Srebrenica, então sob a proteção da ONU.

Em Belgrado, o presidente sérvio Boris Tadic prestou uma homenagem nesta sexta-feira às vítimas de Srebrenica, insistindo nos esforços empreendidos pelas autoridades sérvias para prender os responsáveis pelo massacre, qualificado de genocídio pela Corte Internacional de Justiça.

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