Trinta anos após guerra, argentinos e britânicos ainda disputam Malvinas

Cerimônias marcam 30º aniversário do conflito pelas ilhas que matou 255 soldados do Reino Unidos e 655 da Argentina

iG São Paulo |

BBC
Menina observa nomes de argentinos mortos na Guerra das Malvinas em Ushuaia, na Argentina (01/04)

Uma série de cerimônias e discursos no Reino Unido e na Argentina marcam nesta segunda-feira o 30º aniversário do início da Guerra das Malvinas . O aniversário so conflito, que matou 255 soldados britânicos e 655 argentinos, acontece em um momento de novas tensões entre os dois países.

A Argentina voltou a manifestar seu direito às ilhas, mas o Reino Unido segue comprometido em manter a soberania na região no Atlântico Sul.

A guerra começou com uma invasão argentina das Malvinas no dia 2 de abril de 1982 e desde o ano seguinte os britânicos controlam a região. Mas os argentinos dizem que o território pertencia à Espanha e foi herdado pelo país sul-americano com a sua independência.

Infográfico: Entenda a disputa entre Reino Unido e Argentina pelas Malvinas

Veteranos britânicos de guerra e parentes dos mortos farão uma cerimônia especial no Memorial Nacional Arboretum, em Staffordshire, na região oeste da Inglaterra. Uma única vela será acesa como um gesto de memória aos mortos. O primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, disse que a segunda-feira é um dia de lembrar argentinos e britânicos mortos no conflito.

"Há 30 anos, o povo das Ilhas Falklands (como as Malvinas são chamadas no Reino Unido) sofreram um ato de agressão que quis roubá-los das suas liberdades e do seu modo de vida", disse Cameron. "Hoje é um dia de comemoração e reflexão: um dia para lembrar todos aqueles que perderam suas vidas no conflito - os integrantes das nossas Forças Armadas, assim como os argentinos que morreram."

Ele prestou homenagem ao que chamou de "heroísmo" dos soldados britânicos que libertaram as Malvinas da Argentina, e disse que o Reino Unido está orgulhoso de "corrigir um erro profundo".

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, visitará o porto de Ushuaia nesta segunda-feira, para uma cerimônia de homenagem aos soldados argentinos mortos no conflito. Ela vai acender uma "chama eterna" no local. Na madrugada passada, veteranos de guerra fizeram uma vigília.

Diplomacia

A Argentina solicitou a abertura de negociações sobre a soberania das Ilhas Malvinas, mas o governo britânico diz que não há nada para se discutir, se não houver consentimento dos moradores.

O Reino Unido acusa a Argentina de tentar impor um bloqueio à população local, depois de proibir embarcações com a bandeira de Falklands em seus portos. A medida também foi adotada pelos demais países do Mercosul. Já os argentinos acusam os britânicos de militarizar o Atlântico Sul, depois que foi divulgado que um dos navios de guerra da Marinha britânica será enviado à região.

A derrota das forças argentinas no conflito contribuiu para o fim do regime militar liderado pelo general Leopoldo Galtieri, que foi preso acusado de "incompetência" na guerra. A premiê britânica na época, Margaret Thatcher , não participará de nenhum dos eventos desta segunda-feira, devido aos seus problemas de saúde.

Com BBC

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