Em derrota para premiê, Corte de Milão dá continuidade ao processo que o acusa de prostituição de menor e abuso de poder

Juízes do Tribunal de Milão, no norte da Itália, rejeitaram recursos apresentados pelos advogados do primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, que tentavam transferir o julgamento do "caso Ruby" para a região de Monza ou para o Tribunal de Ministros, onde o premiê possui maior influência.

Berlusconi é acusado de ter pago pelos serviços sexuais de Ruby, apelido da jovem marroquina Karima el-Mahrung, quando ela tinha 17 anos, e de ter atuado junto à polícia de Milão para obter a libertação da jovem, depois que ela foi detida por roubo em 27 de maio de 2010. O premiê nega todas as acusações e diz que o Tribunal de Milão é politicamente contra ele.

No início de abril, os advogados de Berlusconi apresentaram um recurso no qual questionaram a competência do tribunal em julgar o caso. Os advogados buscavam transferir o processo para Monza, onde fica Arcore, local onde Berlusconi possui uma mansão na qual teria mantido relações sexuais com Ruby. Eles também alegavam que, como chefe de governo, Berlusconi teria de ser julgado pelo Tribunal de Ministros.

Os recursos também foram apresentados ao Tribunal Constitucional italiano, que ainda não se pronunciou sobre o caso. O Tribunal de Milão decidiu continuar com o processo até que a decisão seja anunciada, o que deve acontecer ainda este ano.

Ao rejeitarem os recursos, os juízes do Tribunal de Milão declararam aberta a fase oral do julgamento, marcada para começar em 3 de outubro.

Caso Mills

Também nesta segunda-feira, Berlusconi decidiu não comparecer ao Tribunal de Milão para uma nova audiência sobre o caso Mills, no qual é julgado por corrupção de atos judiciais.

Um dos advogados de Berlusconi, Piero Longo, afirmou que o premiê tem um importante reunião com o presidente Giorgio Napolitano sobre o plano de ajuste aprovado pelo governo na sexta-feira.

Neste julgamento, Berlusconi é acusado do pagamento de US$ 600 mil a seu ex-advogado, o britânico David Mills, em troca de que este prestasse testemunho falso a seu favor em dois julgamentos do final dos anos 90 permitindo que o premiê fosse absolvido.

Com EFE e AFP

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