Tribunal rejeita dois julgamentos separados para Mladic

Promotoria queria que ex-comandante militar dos sérvios tivesse um julgamento separado pelo massacre de Srebrenica

iG São Paulo |

AP
General Ratko Mladic é visto em foto de 1995 durante visita a soldados em Vlasenica, leste da Bósnia
O Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia (TPII) rejeitou nesta quinta-feira a solicitação da promotoria que queria dois julgamentos separados contra o ex-chefe militar dos sérvios da Bósnia Ratko Mladic . A intenção era que o primeiro julgamento fosse sobre o massacre de Srebrenica em julho de 1995, o pior desde a Segunda Guerra Mundial (1939 - 1945), que matou 8 mil homens e meninos muçulmanos na cidade de Srebrenica.

O segundo julgamento iria incluir, segundo a promotoria, todos os demais crimes que recaem sobre o ex-general, incluindo aqueles cometidos durante o cerco a Sarajevo (1992 - 1996), outros realizados em várias regiões da Bósnia e a tomada de funcionários da ONU como reféns.

Segundo um comunicado do TPII, os juízes consideraram que "realizar dois julgamentos contra o ex-comandante das forças sérvias da Bósnia poderia ser prejudicial para o acusado, complicar e tornar menos eficaz o julgamento e ser particularmente pesado para as testemunhas".

Uma associação das mães de Srebrenica criticou a decisão e denunciou um "circo do qual os criminosos de guerra sairão vencedores". O promotor do TPII havia solicitado em setembro a separação em duas da ata de acusação contra Mladic.

Acusado de genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra durante a guerra da Bósnia (1992-1995), Ratko Mladic, 69 anos, foi detido no dia 26 de maio na Sérvia após viver 16 anos na clandestinidade, e foi levado a Haia no dia 31 de maio para ser julgado.

Ao lado do líder político servo-bósnio Radovan Karadzic, Mladic passou a simbolizar a campanha de "limpeza étnica" contra croatas e muçulmanos. Ele se tornou um dos homens mais procurados do mundo, e o fato de ter permanecido foragido por mais de uma década se tornou uma fonte de constrangimento para a Sérvia - e o maior ponto nevrálgico na relação do país com o Ocidente.

Mladic nasceu na Bósnia, no vilarejo de Kalinovik, em 1942. Ele cresceu na Iugoslávia sob o regime de Tito e se tornou um oficial do Exército do Povo Iugoslavo. Quando o país começou a se desintegrar em 1991, ele foi enviado para liderar a 9ª Corporação do Exército Iugoslavo contra as forças croatas, em Knin.

Mais tarde, assumiu o comando do Segundo Distrito Militar do Exército Iugoslavo, com base em Sarajevo. Em maio de 1992, a Assembleia Servo-Bósnia votou pela criação de um Exército servo-bósnio, nomeando Mladic como seu comandante.

Com AFP e BBC

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