Um tribunal no Peru ordenou a prisão de dois militares chilenos acusados de envolvimento em um caso de espionagem. Os oficiais são acusados de pagar um agente da Força Aérea do Peru (FAP) para revelar informações secretas de seu país ao Chile.

O militar peruano, Victor Ariza Mendoza, foi preso na sexta-feira acusado de espionagem. Um alto Funcionário da Aérea do Peru informou que os dados que o suposto espião teria enviado ao Chile "não comprometem a segurança nacional".

A emissora de rádio Programas del Peru noticiou que o militar detido recebia entre US$ 5 mil e US$ 8 mil por mês por seus serviços de espionagem.

Segundo o jornal peruano El Comercio, Mendoza trabalhou para a embaixada peruana no Chile em 2002.

O presidente do Peru, Alan García, declarou que deixará a cúpula da Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico (Apec) um dia mais cedo para acompanhar o caso de perto e disse ter cancelado planos de conversar com a líder chilena, Michele Bachelet, durante o encontro, que acontece este fim de semana em Cingapura.

Ainda segundo informações publicadas pela imprensa peruana, Lima ainda teria convocado seu embaixador no Chile para dialogar.

Desavenças históricas
Segundo o correspondente da BBC Mundo no Chile, Rodrigo Bustamente, o ministro chileno das Relações Exteriores, Mariano Fernández, que também está em Cingapura, não quis fazer comentários sobre o incidente diplomático.

"Até o momento temos visto apenas informações da imprensa, não temos qualquer informação oficial e este é um tema delicado. Por isso, o governo chileno não tecerá qualquer comentário sobre o assunto nem aqui em Cingapura, nem em Santiago", afirmou o chanceler.

As relações entre Peru e Chile sofrem altos e baixos desde que os países se enfrentaram no final do século 19 em uma guerra ganhada pelo Chile e que culminou com a perda de territórios peruanos para o país vizinho.

No mês passado, as tensões aumentaram depois que o Chile realizou um exercício militar numa disputada região de fronteira.

Peru e Chile ainda nutrem desavenças no que se refere às fronteiras marítimas. No ano passado, o Peru entrou com um pedido no tribunal internacional de Haia para resolver a questão.

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