Uhuru Kenyatta e William Ruto são acusados de orquestrar onda de violência após eleição presidencial de 2007

O Tribunal Penal Internacional (TPI) ordenou nesta segunda-feira que quatro políticos do Quênia, incluindo dois possíveis candidatos à presidência, sejam julgados pela acusação de orquestrarem uma onda de violência após a eleição de 2007.

Entre os quatro homens estão o vice-premiê e ministro das Finanças, Uhuru Kenyatta, e o ex-ministro da Educação William Ruto. Ambos planejam concorrer à presidência nas eleições deste ano.

William Ruto concede entrevista ao lado do radialista Joshua Sang em Nairóbi, no Quênia
AP
William Ruto concede entrevista ao lado do radialista Joshua Sang em Nairóbi, no Quênia

Kenyatta, 50 anos, é filho do primeiro premiê do Quênia, Jomo Kenyatta, e é o cidadão mais rico do país, com uma fortuna estimada em meio bilhão de dólares. Ruto era aliado do premiê Raila Odinga, mas a relação dos dois foi prejudicada em parte pela insistência de Ruto de concorrer à presidência.

A onda de violência após as eleições de 2007 deixaram mais de mil mortos. Os conflitos começaram depois de policiais expulsarem observadores do local onde os votos estavam sendo contados e de o conselho eleitoral ter declarado Mwai Kibaki vencedor.

Segundo o TPI, Ruto deve ser julgado ao lado do radialista Joshua Arap Sang por crimes contra a humanidade que teriam partidários de Kibaki como alvo. Outro suspeito, o ex-ministro da Industrialização Henry Kiprono Kosgey foi liberado das acusações.

Em um caso separado, Kenyatta irá a julgamento ao lado do secretário de gabinete Francis Muthaura, por crimes contra a humanidade que teriam partidários de Odinga como alvo.

Um terceiro suspeito, o ex-comissário de polícia Mohammed Hussein Ali, não será julgado. Nenhuma data foi fixada para os julgamentos e nenhum dos suspeitos compareceu à audiência desta segunda-feira. Eles ficarão em liberdade até o processo começar, mas a juíza Ekaterina Trendafilova alertou que isso pode mudar se os suspeitos “incitarem a violência ou o ódio”.

“Nosso principal objetivo é que as decisões tomadas por esta Corte levem a paz ao povo do Quênia e previnam hostilidades”, afirmou a juíza.

Grupos de direitos humanos elogiaram a decisão. Em comunicado, a Human Rights Watch disse que o TPI “levou adiante a busca por justiça para aqueles que perderam suas vidas e casas” após as eleições.

Com AP

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