Tribunal não vê racismo em ofensas e revolta judeus na Argentina

Buenos Aires, 20 jan (EFE).- Um tribunal de Buenos Aires gerou revolta hoje entre a comunidade judaica da Argentina - a segunda maior da América - ao considerar que expressões como Hitler deveria ter matado todos são ameaças graves, mas não um ato de racismo.

EFE |

A decisão da Câmara Federal de Apelações, divulgada hoje pela imprensa local, foi em resposta à ação aberta por um comerciante judeu que diz ter sido ofendido em uma discussão com, entre outros termos, "judeu filho-da-p...".

Segundo a corte, os insultos foram expressões de "descontentamento" e "ameaças", crime sobre o qual deverá se pronunciar a Justiça ordinária em vez da federal.

"O conteúdo das frases ditas, por mais repudiável que seja, representou um modo, certamente pouco feliz, de exteriorizar o descontentamento com as relações comerciais e se emoldurou, na verdade, em uma eventual ameaça", diz a corte.

O presidente da Delegação de Associações Israelitas Argentinas (Daia), Aldo Donzis, opinou que o pronunciamento do tribunal foi "vergonhoso" e causa "grande preocupação" na comunidade judaica.

"Mais que surpresa, gera grande preocupação porque a decisão demonstra que a Justiça não se preocupa com o tema do racismo", declarou Donzis à "Agência Judaica de Notícias", em Buenos Aires.

O diretor do Instituto Nacional contra a Discriminação e a Xenofobia, Claudio Morgado, também criticou o tribunal ao ressaltar que os insultos "de conteúdo discriminatório" constituem um ato de racismo.

A comunidade judaica da Argentina, com cerca de 300 mil pessoas, denunciou nas últimas semanas uma nova onda de ataques e a aparição de pichações antissemitas em cemitérios. EFE alm/rr

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