Tribunal islâmico mata a pedradas mulher condenada por adultério na Somália

Mogadíscio, 28 out (EFE).- Uma mulher de 35 anos foi apedrejada até morrer, em Kismayo, na Somália, após ser condenada como adúltera por um tribunal da milícia fundamentalista islâmica de Al Shabab, que ocupa boa parte do território do país, em uma execução que ainda teve a morte de uma criança de sua família.

EFE |

Durante o apedrejamento, ocorrido no campo de futebol de Kismayo, alguns familiares da mulher, Asha Ibrahim, protestaram e tentaram impedir que a matassem, o que provocou que os fundamentalistas atirassem contra eles, matando uma criança.

Sheikh Hayakala, um dos membros do tribunal que condenou Asha, declarou à agência Efe por telefone que ela admitiu ter cometido "bigamia".

"Depois de admitir que tinha se casado com dois homens, foi condenada a morrer apedrejada", ressaltou Hayakala, cujo tribunal se rege pela "Sharia" -Lei Islâmica.

Hayakala alegou que "a própria mulher pediu ser apedrejada e que se cumprisse a Sharia", mas a imprensa somali frisou que os milicianos do Al Shabab impediram os jornalistas de falar com ela para poder confirmar ou desmentir esta afirmação.

Um membro da família de Asha, que assistiu ao apedrejamento, disse à agência Efe de Kismyo por telefone, indignado, que "ela não admitiu o adultério e claro não pediu que a apedrejassem", enquanto assegurava que não se deram as condições exigidas pela "Sharia" para um julgamento deste tipo.

A fonte explicou que, quando tentaram protestar, atiraram contra eles e mataram a uma criança, cuja idade e nome não informou.

O parente pediu que a comunidade internacional "detenha e castigue os responsáveis por estes fatos", a milícia de Al Shabab, a cujos dirigentes se relacionam com a Al Qaeda e que tentam ocupar todo o território da Somália para impor um estado islâmico.

O Al Shabab ocupou a cidade litorânea de Kismayo, onde se encontra o principal porto do sul do Sudão, em agosto após derrotar a milícia de um clã local aliado do Governo Federal de Transição, apoiado pela ONU.

A Somália não tem um Governo central desde 1991, quando foi derrubado o regime do ditador Siad Barre e o país ficou nas mãos de milícias locais que exercem a autoridade em suas regiões.

O apedrejamento aconteceu após um acordo de paz entre o Executivo e diveros grupos fundamentalistas a Aliança para a Nova Libertação da Somália (ARS), que o Al Shabab não admite, afirmando que seguirá em sua luta contra o Governo de Transição. EFE aa/jp

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