Tribunal indicia membros do Hezbollah por morte de Hariri

Corte acusa líderes do grupo de envolvimento em ataque que matou ex-primeiro-ministro do Líbano em 2005

iG São Paulo |

O Tribunal Especial para o Líbano (TSL), das Nações Unidas, publicou nesta quarta-feira o indiciamento de quatro integrantes do Hezbollah acusados de envolvimento no assassinato do ex-primeiro-ministro libanês Rafic Hariri, em 2005.

De acordo com o promotor Daniel Bellemare, os acusados são Salim Ayyash, 47 anos, Mustafah Bedreddin, 50, Hussein Anaisi, 37, e Asad Sabra, 34.

Em junho, o Tribunal havia emitido mandados de prisão contra os quatro homens. Como autoridades libanesas não conseguiram fazer as prisões, o indiciamento foi publicado nesta quarta-feira.

O Hezbollah nega qualquer envolvimento e diz que nunca entregará os suspeitos, que podem ser julgados sem estar presentes.

O documento publicado nesta quarta-feira revela detalhes das investigações. De acordo com o texto, os responsáveis pelo ataque a bomba que matou Hariri e outras 22 pessoas estudaram os hábitos e movimentos do ex-premiê por várias semanas. Em 14 de fevereiro de 2005, dia do ataque, eles detonaram 2,5 mil kg de explosivos colocados em uma caminhonete no centro de Beirute.

No texto, os promotores afirmam não ter provas que liguem diretamente os acusados aos ataques, mas dizem que há uma série de evidências – principalmente registros telefônicos - “que podem ser inferidas e deduzidas”. “A história completa só será contada no tribunal, com um julgamento aberto, justo e transparente”, disse Bellemare.

A medida pode elevar a tensão em um país onde a investigação é motivo de polêmica e divisão. Como Hariri era sunita, muitos libaneses temem que o fato de o tribunal encontrar ligações entre o assassinato e o Hezbollah provoque sérios confrontos entre as comunidades xiitas e sunitas do Líbano.

O TSL, criado em 2007 a pedido do Líbano, em virtude de resolução das Nações Unidas, é encarregado de julgar os responsáveis pelo atentado. O Hezbollah já fez duras críticas ao TSL, dizendo se tratar de um complô envolvendo Estados Unidos, Israel e França para destruir o grupo.

No início de 2011, o tribunal motivou o colapso do governo do então premiê Saad Hariri, que se recusou a ceder às pressões do Hezbollah e renegar o TSL. Ministros do grupo xiita e seus aliados, então, renunciaram em massa e derrubaram Hariri.

O atual primeiro-ministro libanês é Najib Mikati e o Hezbollah domina grande parte de seu gabinete.

Com BBC, AFP e AP

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