Paris, 13 ago (EFE) - O Tribunal Europeu de Direitos Humanos estudará até 28 de agosto o recurso de extradição apresentado pelo hacker Gary McKinnon, conhecido como Solo, que supostamente teria invadido os computadores do Governo dos Estados Unidos antes dos atentados de 11 de setembro de 2001.

A corte decidiu hoje analisar um pedido de McKinnon, acusado pelos EUA de "atividades informáticas fraudulentas" por ter tido acesso ilegalmente a vários dos programas que são considerados os mais seguros do planeta entre fevereiro de 2001 e março de 2002.

Os EUA acusam Solo de ter invadido os computadores da Nasa (agência espacial americana), do Exército, da Marinha, do Departamento de Defesa e da Força Aérea dos Estados Unidos.

McKinnon enviou ao tribunal em 29 de julho um pedido no qual alega que, se for condenado nos EUA, seria alvo de tratamentos desumanos ou degradantes, recolhido pela Convenção Européia de Direitos Humanos.

O Tribunal, que estabeleceu de prazo até 28 de agosto para estudar o pedido, solicitou ao Reino Unido que se "abstenha de extraditar" o suposto hacker.

Solo, de 42 anos, perdeu no dia 30 de julho um recurso judicial na Câmara dos Lordes do Reino Unido, após uma sentença anterior do Tribunal Superior, que, em 2007, ordenou sua extradição.

O suposto especialista em informática pode enfrentar nos Estados Unidos uma pena de várias décadas de prisão, além de ter que pagar multas, pelo que seu advogado apresentou um recurso no Tribunal Europeu de Direitos Humanos.

A Promotoria afirma que Solo alterou e apagou arquivos em uma instalação naval pouco depois dos ataques de 11 de setembro de 2001, o que deixou os sistemas inoperantes.

O hacker admitiu ter invadido os computadores a partir de sua casa em Londres, mas assegura que não quis sabotá-los, mas só buscava informação sobre ovnis para revelar uma suposta conspiração para ocultar visões destes objetos.

Os representantes legais de McKinnon argumentam que não há necessidade de julgar o cliente nos Estados Unidos, porque isso pode ser feito no Reino Unido, onde foi detido em 2002, mas, até agora, não foi acusado de qualquer crime.

Para a defesa, Gary McKinnon não é nem um terrorista nem um simpatizante do terrorismo e o Governo britânico rejeitou processá-lo para permitir ao Governo americano fazer do seu caso um exemplo, o que lhe traria conseqüências "desproporcionais e intoleráveis". EFE jaf/db

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