Tribunal dos EUA condena ex-motorista de Bin Laden

Um tribunal militar no centro de detenção americano da Baía de Guantánamo, em Cuba, condenou nesta quarta-feira o iemenita Salim Hamdan, ex-motorista do líder da rede extremista Al-Qaeda, Osama Bin Laden, por apoio ao terrorismo. Esse foi o primeiro julgamento por crimes de guerra nos Estados Unidos desde a Segunda Guerra Mundial e o primeiro finalizado pelo tribunal especial criado pelo presidente George W.

BBC Brasil |

Bush para julgar suspeitos na "Guerra contra o Terror".

A sentença de Hamdan deverá ser anunciada ainda nesta quarta-feira. Ele poderá ser condenado à prisão perpétua.

A defesa já anunciou que vai apelar da decisão.

Conspiração
O ex-motorista de Bin Laden foi considerado culpado de cinco das oito acusações de apoio ao terrorismo, incluindo a de ser o motorista e guarda-costas de Osama Bin Laden, um homem que "ele sabia ser o líder de uma organização terrorista".

Ele foi inocentado de duas acusações de conspiração.

Segundo a correspondente da BBC Kim Ghattas, que cobriu o julgamento, ao receber o veredicto, Hamdan ficou inicialmente impassível, mas depois caiu em prantos.

Ghattas afirma que o caso ainda pode ser levado à Suprema Corte americana.

"Papel vital"
Segundo a acusação, Hamdan teve um "papel vital" na conspiração por trás dos ataques de 11 de setembro de 2001. No entanto, a defesa diz que ele era um simples empregado.

Hamdan, de 37 anos, foi capturado no Afeganistão em novembro de 2001. Ele admitiu ter trabalhado para Bin Laden no Afeganistão de 1997 a 2001.

Ele disse que ganhava um salário de cerca de US$ 200 (R$ 316) por mês e que trabalhava pelo dinheiro e não para fazer uma guerra contra os Estados Unidos.

Segundo o correspondente da BBC em Washington Adam Brookes, o presidente americano deverá usar a conclusão deste primeiro julgamento como prova de que o sistema de Guantánamo funciona.

A Casa Branca disse que o julgamento foi justo e que espera que outros casos sejam levados a júri.

Os advogados de defesa dizem que o veredicto era inevitável e que esse sistema foi criado para condenar os réus.

Cerca de 270 suspeitos permanecem presos em Guantánamo.

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