Tribunal de Teerã acusa detidos de agir contra segurança de Estado

Teerã, 1 ago (EFE).- O tribunal geral e revolucionário de Teerã apresentou hoje a acusação contra os detidos pelos protestos pós-eleitorais, que qualificou de uma tentativa infrutífera para provocar um golpe de estado de veludo, segundo a televisão pública iraniana.

EFE |

O órgão acusou os processados de atacar com armas brancas e de fogo centros militares e edifícios públicos, de destruir bens, de provocar o terror entre os cidadãos e de ter relações com os grupos de oposição, como o dos "mujahedines do povo".

As acusações incluem também agressões aos policiais e a outras pessoas, assim como dar informações para os meios de comunicação estrangeiros e distribuir cartas de conteúdo contrário à República Islâmica do Irã.

O vice-procurador do tribunal discursou na primeira sessão do julgamento que começou esta manhã às 9h10 (3h50 de Brasília), recitando versículos do Corão.

Entre os detidos, estão importantes ativistas políticos membros da Organização dos Mujahedines da Revolução Islâmica, próxima a Mohamad Khatami, e o partido Frente da Participação, próximo a Akbar Hashemi Rafsanjani.

No tribunal revolucionário de Teerã, estão sendo processados cerca de 100 detidos pelas manifestações que ocorreram no Irã após as eleições presidenciais de 12 de junho, qualificadas de fraudulentas pelo candidato reformista Mir Hussein Moussavi.

As principais cidades do Irã foram cenários de maciços protestos a partir do dia seguinte após o atual presidente, o ultraconservador Mahmoud Ahmadinejad, ser proclamado ganhador do pleito.

As manifestações, com a presença de partidários de outros três candidatos das eleições, foram reprimidas brutalmente pela Polícia iraniana, com um saldo oficial de pelo menos 20 mortos, centenas de feridos e milhares de detidos.

Moussavi, que recebeu o apoio de Khatami e Rafsanjani durante as eleições, foi na quinta-feira passada junto com outro candidato reformista, Mehdi Karroubi, a um cemitério ao sul de Teerã para homenagear as vítimas das manifestações.

O ato terminou em um enfrentamento com a Polícia iraniana que levou à detenção, segundo um alto comando militar, de 50 pessoas acusadas de ter provocado distúrbios. EFE msh/an

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