Tribunal de Estrasburgo receberá recurso contra eutanásia na Itália

Roma, 17 nov (EFE).- Um recurso contra a sentença do Tribunal Supremo que autorizou a suspensão da alimentação a Eluana Englaro, de 37 anos e em estado vegetativo, será apresentado amanhã no Tribunal Europeu dos Direitos Humanos de Estrasburgo por parte de 34 associações italianas.

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Trata-se do primeiro recurso nestes termos apresentado ao Tribunal de Estrasburgo, alegando o tema da incapacidade, o problema de delegar e o da suspensão da hidratação e da nutrição.

Sobre os dois primeiros aspectos o Tribunal europeu não se pronunciou nunca, mas sobre o terceiro existe o precedente de uma mulher inglesa com esclerose múltipla, que pediu a interrupção da hidratação e da nutrição porque a considerava "uma tortura".

O Tribunal de Estrasburgo não autorizou a suspensão e declarou que nutrir e hidratar não podem ser considerados "um tratamento desumano".

Por outro lado, muitos médicos de Udine, para onde a família de Eluana decidiu transferi-la, para que lhe seja desligada a sonda que lhe mantém alimentada há 17 anos, afirmaram que acolherão a objeção de consciência.

O presidente do Colégio de Médicos de Udine, Luigi Conte, declarou ter recebido muitas ligações de médicos advertindo que, se chamados a desligar os aparelhos de Eluana, acolherão a objeção de consciência para se negar a interromper a alimentação e a hidratação que a mantém viva.

A influente revista "Famiglia Cristiana" (Família Cristã) apoiou hoje o pedido dos bispos italianos para a aprovação de uma lei que defenda o direito à vida dos mais débeis e os considerados incuráveis.

Com um comentário do teólogo Louis Lorenzetti, sublinhou que o caso de Eluana revelou o "problema de uma cultura hedonista que exalta a vida, mas quando se apresenta física ou psicologicamente precária, não consegue compreender o sentido, o valor e o direito à vida".

E exigiu uma lei justa sobre o fim da vida que reconheça três valores: a vontade clara e explícita do paciente, o papel do médico em entendimento com o paciente (ou família) e o direito e o dever de assistência sanitária de cada pessoa contra qualquer forma de abandono terapêutico.

Para a revista católica a "falha do Tribunal" é preocupante porque reduz a consciência da defesa dos que estão em condições similares a Eluana, (na Itália 2 mil pessoas, entre crianças e adultos).

No último dia 13 a Corte Suprema italiana autorizou a supressão da alimentação a Eluana, que se encontra em estado vegetativo há 17 anos devido a um acidente de trânsito, após uma longa luta judicial nesse sentido por seu pai, Giuseppe Englaro.

Os médicos calculam que, retirada a sonda, ela demorará 15 dias para morrer. EFE cps/jp

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