Tribunal da ONU entrega ata sobre assassinato de Rafik Hariri

Anúncio de magistrado, que deve decidir se acusados irão a julgamento na corte, deve sair em até dez semanas

iG São Paulo |

O Tribunal Especial para o Líbano (TSL), das Nações Unidas, apresentou nesta segunda-feira a ata de acusação sobre o assassinato do primeiro-ministro libanês, Rafik Hariri, acompanhada de peças investigativas, como parte da enquete sobre o atentado que matou o premiê em 2005 em Beirute.

A ata de acusação foi entregue ao magistrado belga Daniel Fransen.

AFP
No centro de Beirute, mulher passa por muro com pôster de Rafik Hariri, morto em 2005
Conforme explicou em comunicado o escrivão do TSL, Herman von Hebel,  o "conteúdo permanece confidencial nesta fase". Detalhes sobre nomes dos suspeitos e acusações contra eles não foram divulgadas.

A previsão é de que Fransen demore de seis a dez semanas para estudar a ata. Os nomes dos suspeitos e evidências de que podem ser culpados serão divulgados apenas se ele decidir levá-los a julgamento na corte.

O TSL, criado em 2007 a pedido do Líbano, em virtude de resolução das Nações Unidas, é encarregado de julgar os responsáveis pelo atentado cometido com uma caminhonete carregada de bombas, que matou Hariri e outras 22 pessoas, no dia 14 de fevereiro de 2005 no centro de Beirute.

O Hezbollah aguarda ser responsabilizado. Seu líder, Hassan Nasrallah, havia afirmado na noite de domingo que o poderoso partido xiita "se defenderia" contra qualquer acusação, sem precisar de qual forma.

Governo

Na semana passada, o governo de Saad Hariri, filho do ex-premiê Rafik Hariri, entrou em colapso após a renúncia de ministros do Hezbollah e aliados. O grupo xiita, que acusa o TSL de fazer parte de um "complô israelense-americano" para destruí-lo, há meses pressiona Saad Hariri para que renegue o tribunal. O premiê, no entanto, recusou-se a fazê-lo.

Rafik Hariri era sunita e, por isso, muitos libaneses temem que o fato de o tribunal encontrar ligações entre o assassinato e o Hezbollah provoque sérios confrontos entre as comunidades xiitas e sunitas do Líbano.

Nesta segunda-feira, o Líbano adiou as negociações sobre um novo governo, pouco antes de os líderes regionais se reunirem na Síria para discutir a crise política provocada em razão das acusações sobre o assassinato.

Líderes da Síria, Catar e Turquia iriam se reunir em Damasco para discutir a crise no tribunal, que o Hezbollah chama de um "projeto israelense" que mira o grupo.

*Com AFP e AP

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