Tribunal da ONU emite 4 mandados de prisão por assassinato de Hariri

Corte teria acusado líderes do Hezbollah de envolvimento em ataque que matou ex-premiê e deixou 22 mortos em 2005

iG São Paulo |

O Tribunal Especial para o Líbano (TSL), das Nações Unidas, emitiu nesta quinta-feira quatro mandados de prisão como parte das investigações sobre a morte de Rafik Hariri, ex-primeiro-ministro libanês assassinado em 2005.

AP
Policiais montam guarda em frente ao Ministério da Justiça, onde integrantes do TSL entregaram ata de acusação sobre assassinato de Hariri

Os nomes dos alvos dos mandados não foram divulgados, mas a imprensa local identificou os acusados como Assad Sabra, Hassan Issa, Salim Ayachhe e Moustaf Badredine, todos integrantes do alto escalão do grupo militante xiita Hezbollah. Segundo a rede de TV CNN, porém, dois dos quatro indiciados seriam do grupo.

As autoridades libanesas têm 30 dias para cumprir os mandados de prisão. Caso isso não aconteça, o tribunal tornará o indiciamento público e convocará os acusados para prestar depoimento, de acordo com especialistas ouvidos pela agência AFP.

O filho de Hariri, Saad, comemorou a decisão do tibunal, que classificou de um "momento histórico" para o Líbano após anos de "paciência, espera e contínua luta nacional".

A segurança na capital do país, Damasco, foi reforçada logo após o anúncio. Rafik Hariri era sunita e, por isso, muitos libaneses temem que o fato de o tribunal encontrar ligações entre o assassinato e o Hezbollah provoque sérios confrontos entre as comunidades xiitas e sunitas do Líbano.

O grupo ainda não se pronunciou sobre a decisão do tribunal, mas negou repetidamente qualquer envolvimento no assassinato do ex-primeiro-ministro. O Hezbollah também já fez duras críticas ao TSL, dizendo se tratar de um complô envolvendo Estados Unidos, Israel e França para destruí-lo.

O TSL, criado em 2007 a pedido do Líbano, em virtude de resolução das Nações Unidas, é encarregado de julgar os responsáveis pelo atentado cometido com uma caminhonete carregada de bombas, que matou Hariri e outras 22 pessoas, no dia 14 de fevereiro de 2005 no centro de Beirute.

No início do ano, o tribunal motivou o colapso do governo do então premiê Saad Hariri, que se recusou a ceder às pressões do Hezbollah e renegar o TSL. Ministros do grupo xiita e seus aliados, então, renunciaram em massa e derrubaram Hariri.

O atual primeiro-ministro libanês, Najib Mikati, deve emitir ainda nesta quinta-feira um comunicado esclarecendo a posição de seu governo sobre o tribunal. O Hezbollah domina grande parte do gabinete de Mikati.

Com BBC, AFP e AP

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