O Tribunal Internacional de Justiça (CIJ) da ONU convocou uma audiência pública para o período de 8 a 10 de setembro para deliberar sobre a demanda apresentada pela Geórgia contra atos de violência discriminatórios praticados pela Rússia, informou hoje a corte em comunicado.

A Geórgia havia apresentado na terça-feira desta semana uma queixa contra a Rússia por "limpeza étnica" no Tribunal Internacional de Justiça (TIJ).

O TIJ, a mais alta instância judicial da ONU, decide sobre os conflitos entre Estados.

Segundo o texto da presidência de Tbilisi, "os supostos atos de limpeza étnica em território de soberania georgiana por parte da Federação da Rússia teriam sido praticados entre 1993 e 2008".

O período mencionado diz respeito a quando os soldados russos começaram a operar em território georgiano na qualidade de forças de paz, no início dos anos 90, precisou o texto.

Por sua vez, a justiça russa vai colher entre os habitantes de Abkhásia e Ossétia do Sul denúncias por supostos crimes de guerra contra os dirigentes georgianos, para enviá-las também ao Tribunal, informou o procurador-geral Yuri Chaika, citado pela Interfax.

Cessar-fogo assinado

O presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, assinou nesta sexta-feira o acordo formal de cessar-fogo "com o ocupante russo", segundo o anúncio que ele próprio fez em coletiva de imprensa ao lado da secretária de Estado americana, Condoleezza Rice.

Hoje, eu assinei o acordo de cessar-fogo", disse do lado de fora de seu palácio presidencial, em Tbilisi, capital do país. Ele estava acompanhado da secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice.

O presidente culpou o Ocidente por não reagir fortemente contra as atividades militares da Rússia e por não conceder ao país caucasiano a filiação à Otan.

Saakashvili disse "hoje, estamos olhando o mal diretamente nos olhos". Ele afirmou que a Geórgia jamais se conformará com qualquer ocupação de seu território pela Rússia.

Condoleezza Rice aproveitou para afirmar que as forças russas devem abandonar a Geórgia imediatamente , já que Tbilisi assinou o acordo de cessar-fogo aprovado por Moscou, acrescentando que a Rússia constitui um "mal perigoso para todo o mundo"."As forças russas precisam deixar a Geórgia de uma vez por todas", disse. "Não estamos mais em 1968". 


Rice encontra o presidente georgiano Mikhail Saakashvili / Reuters

Rice se reuniu na quinta-feira com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e com o ministro de Exteriores do país, Bernard Kouchner, para saber da mediação do chefe de Estado no conflito entre a Rússia e a Geórgia e reiterar seu apoio.

Paris e Washington haviam apelado a Moscou e Tbilisi para que assinassem, "sem demora", um acordo formal de cessar-fogo. Geórgia e Rússia haviam concordado previamente com o plano, mas Saakachvili se recusava a assinar o acordo, exigindo detalhes.

Intimidação

Antes da assinatura do acordo nesta sexta-feira, o presidente americano, George W. Bush, acusou a Rússia de "cerco e intimidação" contra a Geórgia, ao afirmar que o povo da ex-república soviética tinha escolhido a liberdade e insistir em que os EUA não deixarão o país de lado.

Bush fez essas declarações na Casa Branca pouco antes de sair para seu rancho no Texas, onde passará alguns dias de descanso, mas antecipou que ficará em permanente contato tanto com a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, que viajou à Geórgia, quanto com o secretário de Defesa, Robert Gates.

(*Com informações da Reuters, AFP e EFE)

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