Ex-ditador deve retornar ao seu país depois de passar quase 20 anos em prisões nos Estados Unidos e na França

Manuel Noriega, em foto de arquivo de 1989
Reuters
Manuel Noriega, em foto de arquivo de 1989
Um tribunal francês decidiu nesta quarta-feira que o ex-ditador Manuel Noriega poderá ser extraditado ao Panamá, onde ele é procurado por crimes cometidos durante seu governo no país (1983-1989).

O Panamá quer que Noriega volte ao país para cumprir a pena setenciada após sua condenação por peculato, corrupção e homicídio. Há chances que, por conta de sua idade avançada, - acredita-se que ele tenha 77 anos - Noriega possa cumprir sua sentença em prisão domiciliar.

Noriega não vai a seu país há mais de duas décadas, anos os quais passou atrás das grades na Flórida, sob a acusação de tráfico de drogas, e na França, por lavagem de dinheiro . Seu advogado disse que ele poderia retornar ao Panamá logo na quinta-feira.

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"Deus abençoe vocês", disse Noriega quando o tribunal de apelação da França anunciou a aprovação da extradição nesta quarta. "Deus abençoe minha família, Deus abençoe meus inimigos, Deus abençoe a França."

"Eu quero voltar ao Panamá e provar minha inocência", disse ele, por meio de intérpretes.

O destino de Noriega foi decidido pelo tribunal francês depois de meses de procedimentos legais sobre um homem cujo passado complicado manteve magistrados de três países ocupados por anos.

O premiê francês, François Fillon, agora precisa assinar um decreto administrativo que permite a tranferência de Noriega. "Estamos plenamente satisfeitos porque todos os problemas técnicos estão solucionados e uma vez que se consiga o decreto do governo francês, a viagem pode acontecer no dia seguinte", disse Olivier Metzner, advogado de Noriega.

Amigos e inimigos temiam que Noriega pudesse morrer em uma prisão francesa - panamenhos que lutaram contra os abusos dos direitos humanos durante seu regime queriam vê-lo enfrentar a justiça em casa.

Noriega era um aliado dos Estados Unidos, tanto que, durante a Guerra Fria (1947 - 1991), ele era visto pelo presidente Ronald Reagan (1981 - 1989) como um aliado fundamental contra o governo esquerdista na Nicarágua. Mas ele acabou se desentendendo com Washington .

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No final de 1989, o presidente George H. W. Bush (1989 - 1993) ordenou uma invasão das tropas americanas para depor Noriega, em meio a acusações de que ele tinha transformado o Panamá em um foco do tráfico de drogas.

Levado para Miami, foi acusado de ajudar os navios do cartel de Medellín, carregados de cocaína, a entrar nos EUA. Ele foi considerado culpado em 1992 por oito das dez acusações e setenciado a 17 anos de prisão.

Anos depois de sua sentença ter chegado ao fim, a França pediu sua extradição em 2010 acusado de lavagem de dinheiro de carteis de drogas colombianos através de um banco francês para comprar propriedades em Paris.

O ex-ditador foi condenado no Panamá a 20 anos de prisão pelo assassinato do opositor Hugo Spadafora em 1985, caso pelo qual se apresentou um primeiro processo de extradição. A mesma pena foi imposta pelo caso objeto do segundo processo de extradição, o homicídio do capitão Moisés Giroldi, que havia se sublevado contra Noriega, em outubro de 1989.

Noriega "irá para a cadeia assim que chegar ao Panamá", garantiu o presidente Ricardo Martinelli, acrescentando que "a lei diz que a um cidadão com mais de 70 anos pode ser dado o privilégio da prisão domiciliar". "Isso não necessariamente vai acontecer - mas é algo que cabe ao juiz decidir."

A extradição de Noriega se tornou um assunto complexo por conta dos EUA, uma vez que o país autorizou a transferência dele para a França, tem que dar consentimento para seu retorno ao Panamá.

Com AP, EFE e BBC

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