Tribunal confirma punição contra cubano que protestou contra fome

HAVANA - Um tribunal de apelação de Havana ratificou, nesta quinta-feira, a condenação a dois anos de prisão contra um homem que protestou diante de câmeras de televisão por passar fome, disseram à Agência Efe fontes da dissidência interna em Cuba.

EFE |

O Tribunal Provincial de Havana considerou que Juan Carlos González Marcos, de 48 anos, conhecido como "Pánfilo", incorreu no crime de "desvinculação laboral", segundo disse à Efe Richard Rosselló, da Comissão Cubana pelos Direitos Humanos e pela Reconciliação Nacional (CCDHRN), que esteve na audiência como observador.

Segundo Rosselló, a "desvinculação laboral" é similar à vadiagem e é considerada como crime na ilha.

Segundo a decisão judicial, a sentença é inapelável e "Pánfilo" passará os dois anos de prisão na penitenciária de Toledo 2, na periferia de Havana.

Em julho, "Pánfilo", visivelmente embriagado, interrompeu a gravação de um documentário sobre música urbana em Cuba e gritou: "Aqui há muita fome, o que é preciso é 'jama'" ("comida", na gíria cubana).

A intervenção de "Pánfilo" teria passado despercebida se não tivesse sido postada no site de vídeos YouTube, onde teve mais de 400 mil exibições. A partir daí, houve a criação de grupos de apoio ao cubano.

Ao ver a repercussão de suas declarações, "Pánfilo" se retratou em um vídeo posterior, mas isso não o livrou de ser detido e julgado em primeira instância em 12 de agosto, em uma audiência a portas fechadas.

Nesta quinta-feira, seu advogado de defesa ressaltou diante do tribunal de apelação que seu cliente sofre de problemas de alcoolismo e, por isso, pediu sua internação em uma instituição de reabilitação, mas seus argumentos foram ignorados.

A imprensa não teve permissão para assistir a audiência. O próprio advogado do acusado se negou a dar entrevistas.

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