Tribunal britânico considera greve da British Airways ilegal

A greve dos pilotos e comissários de bordo da companhia aérea British Airways, marcada para começar no dia 22 de dezembro, foi considerada ilegal por um dos tribunais mais importantes da Grã-Bretanha nesta quinta-feira. Os funcionários paralisariam as atividades até o dia 2 de janeiro em protesto contra cortes de vagas e mudanças nos contratos de trabalho.

BBC Brasil |

O Tribunal Superior de Justiça acatou o argumento da companhia de que o sindicato que convocou a greve, o Unite, não consultou os funcionários por meio de voto a respeito da paralisação da forma correta, pois incluiu funcionários que já iriam deixar a companhia.

Naquela votação, 92,5% dos consultados foi a favor da greve.

O sindicato afirmou que "este foi um dia vergonhoso para a democracia" e prometeu realizar uma nova votação entre os funcionários da British Airways caso a questão com a companhia não seja resolvida.

O Unite afirmou que planeja recorrer agora à Corte de Apelações. Na hierarquia do sistema judiciário britânico, tanto o Tribunal Superior como a Corte de Apelações ficam abaixo da Suprema Corte, a quem cabe as decisões em último recurso.

No entanto, se o sindicato decidir fazer outra votação entre seus membros, as leis britânicas não permitem que uma greve seja realizada imediatamente e a paralisação poderá ocorrer apenas depois do Ano Novo.

Reflexão
A British Airways, por sua vez, afirmou que a decisão da Suprema Corte beneficia as "centenas de milhares de famílias na Grã-Bretanha e no resto do mundo".

"Nunca existiu a necessidade de uma greve e esperamos que o Unite aproveite esta oportunidade para refletir antes de decidir sobre seus próximos passos", informou a companhia em uma declaração.

"Nos últimos dias acreditamos que o Unite tenha compreendido melhor a nossa posição e a maneira como estamos tentando avançar."
Os secretários-gerais do sindicato Unite, Derek Simpson e Tony Woodley, declararam que "a questão ainda não está decidida".

"A British Airways precisa entender que não pode haver resolução (do problema) a não ser por meio de negociação, se a negociação fracassar, inevitavelmente teremos mais uma votação para outra greve", informaram os dois sindicalistas.

A greve foi motivada por mudanças implementadas pela empresa em novembro. A British Airways reduziu o número de tripulantes em voos de longa distância de 15 para 14 e congelou os salários por dois anos.

A British Airways afirma que precisa cortar gastos urgentemente. No mês passado, a empresa revelou perdas de 292 milhões de libras (cerca de R$ 831 milhões) no primeiro semestre e anunciou que terá de cortar mais 1,2 mil vagas.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG