Buenos Aires, 4 ago (EFE).- Um tribunal argentino confirmou hoje que o ex-presidente Fernando de la Rúa será processado por suposta participação no pagamento de subornos a senadores para aprovar uma reforma trabalhista, informaram fontes judiciais.

A Câmara Federal de Apelações confirmou assim a decisão emitida em fevereiro do ano passado pelo juiz Daniel Rafecas, que agora ficou habilitado para enviar De La Rúa, que governou o país entre 1999 e 2001, a julgamento oral.

Na resolução, o tribunal considerou que o pagamento de subornos no Senado para aprovar a reforma trabalhista "foi um ato do Governo liderado por Fernando de la Rúa como presidente".

De La Rúa renunciou ao cargo em dezembro de 2001 em meio a uma profunda crise social e econômica na Argentina.

O ex-presidente teve "o manejo causal de toda a operatória que terminou no pagamento do suborno" e "não foi alheio à manobra", diz a decisão da Câmara Federal.

Em novembro de 2007, o ex-secretário parlamentar Mario Pontaquarto confirmou em acareação com o ex-chefe de Estado perante a Justiça que De La Rúa habilitou o pagamento de subornos a senadores para a aprovação de uma lei de reforma trabalhista em 2000, acusação negada pelo ex-governante.

O juiz já levou a julgamento oral a causa contra nove ex-senadores e ex-funcionários do Governo do ex-presidente, também acusados de ter recebido os subornos.

Conforme a acusação do promotor do caso, os então senadores justicialistas receberam no total 4,3 milhões de pesos (US$ 4,3 milhões) "para que, através de seu apoio, se alcançasse a sanção do projeto de lei que foi aprovado pela Câmara Alta em 26 de abril de 2000". EFE ms/db

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